O Estado do Paraná, com 71% da área do Rio Grande do Sul e com população levemente maior, tem um PIB 6% maior; Santa Catarina, com um terço da área e 73% da população, tem o equivalente a 80% do PIB do RS.
Esses estados têm climas semelhantes, quando conjugamos latitude e altitude, todos têm excelente produção agrícola, industrial e turística. Por que, então, o Estado do RS, que era a quarta economia do País, foi superado pelo Estado do PR e continua correndo atrás?
Se as condições acima citadas não explicam as razões dessa queda, há duas outras que devem explicá-las.
O Estado do RS financiou déficits por endividamento durante várias décadas e formou uma dívida líquida que alcança 174% de sua receita corrente líquida (RCL). Já em Santa Catarina, a dívida líquida é de 23,3% da RCL e Paraná nem possui dívida líquida. É credor líquido, na ordem de 4,9%.
Os aportes previdenciários para cobrir os déficits são de 14,5% da RCL no RS; de 9,2% em SC e de 8,8% no PR.
É claro que os problemas climáticos, principalmente as secas, têm prejudicado muito o Estado do RS. Mas esses problemas poderiam ser amenizados por várias alternativas, mas que demandam recursos financeiros, que um estado endividado e com grandes déficits não os possui.
Fazendo uma comparação com o futebol, que está em evidência, em época de Copa do Mundo, tomamos os nossos dois principais clubes, Grêmio e Inter, eles que anos atrás disputavam títulos ou as primeiras colocações em certames nacionais, hoje estão lutando para não cair para a segunda divisão, para o que precisam ficar entre os quatro últimos da tabela de classificação.
É verdade que dois ou três clubes destacam-se em relação aos demais, por arrecadarem mais. Se ficássemos abaixo só desses a situação estaria explicada. Mas estamos abaixo de quase todos. O que está acontecendo com nossos clubes?
A resposta a isso é a mesma que cabe ao Estado: Déficits altos e sucessivos. Moral da história: nenhuma entidade, seja comercial, industrial, esportiva ou qualquer outra atividade, se mantém gastando mais do que arrecada.
Para o serviço público foi criada a lei de responsabilidade fiscal, que tantos tentam descumpri-la para continuarem fazendo déficits. Nas demais atividades, mesmo sem lei, deveria ser uma prática inseparável da administração. Fora disso, não há salvação.
