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	<title>Restrição orçamentária do governo &#8211; Darcy Francisco</title>
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		<title>Responsabilidade fiscal é incompatível com a  social?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Dec 2022 22:50:08 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Déficit público]]></category>
		<category><![CDATA[Restrição orçamentária do governo]]></category>
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					<description><![CDATA[Há muita comemoração pela autorização para gastar R$ 169 bilhões&#160;&#160; fora do teto de gastos em 2023. De fato, essa medida corrige, embora de forma exagerada, uma das falhas do teto, decorrente do tratamento igualitário para&#160; &#160;todas as despesas.&#160;&#160; &#160;Mas não ela cria receitas, cria mais dívidas, porque com ela passamos a operar com déficit [&#8230;]]]></description>
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<p>Há muita comemoração pela autorização para gastar R$ 169 bilhões&nbsp;&nbsp; fora do teto de gastos em 2023. De fato, essa medida corrige, embora de forma exagerada, uma das falhas do teto, decorrente do tratamento igualitário para&nbsp; &nbsp;todas as despesas.&nbsp;&nbsp; &nbsp;Mas não ela cria receitas, cria mais dívidas, porque com ela passamos a operar com déficit maior.</p>



<p>O teto de gastos limitou em cada ano as despesas à variação da inflação do ano anterior, excepcionalizando no caso de calamidades, como foi o a covid-19, em 2020. Como existem despesa que aumentam sempre acima da inflação, como os benefícios do INSS, com crescimento vegetativo de 2,6% ao ano, isso comprime outras despesas, que ficam sem recursos. &nbsp;</p>



<p>Muita gente há que não acredita na austeridade fiscal, como se o poder público fosse uma fonte inesgotável de recursos, como se não houvesse restrição orçamentária. E ainda encontram incompatibilidade entre o social e o fiscal, quando o contrário que é verdadeiro. O gasto desenfreado acaba em déficit e endividamento, só restando migalhas para o atendimento do social.</p>



<p>Recentemente nosso futuro Presidente disse que <em>“ não se cuida do pobres, se ficar olhando a política fiscal</em>”. Entendo diferente: Se não cuidarmos da situação fiscal, no longo prazo, teremos uma tragédia social.</p>



<p>Isso pode ser demonstrado pela equação abaixo, retirada do livro Finanças Públicas, de Felipe Salto e Mansueto de Almeida, p.20.</p>



<p>‘v = -p + (j &#8211; a) * d</p>



<p>A variável “v”, se é maior do que zero, indica que&nbsp; a dívida em percentagem do PIB está crescendo, porque o esforço do superavit primário (p) não foi suficiente para anular o efeito dos juros reais, deduzidos do crescimento real do PIB, sobre a dívida pública.</p>



<p>‘Se v = 0, tem-se&nbsp;&nbsp; p= (j &#8211; a) * d</p>



<p>Indica o superavit primário (p) necessário para manter estável a razão dívida/PIB</p>



<p>Onde:</p>



<p>‘ j = taxa de juros real (com a exclusão da inflação)</p>



<p>‘a = taxa de crescimento do PIB</p>



<p>‘d = dívida pública em % do PIB</p>



<p>Aplicando-se essa fórmula ao caso brasileiro, em que a dívida bruta do governo geral (DBGG) em outubro/2022 era de 77% do PIB, e considerando que o PIB possa crescer 2,5%, índice alto para o caso brasileiro<a href="#_ftn1">[1]</a>, e considerando, ainda, a taxa Selic real em torno de 6,2%, tem-se:</p>



<p>‘p = (0,062-0,025) * 77% = 2,8%, em torno de 3%.</p>



<p>Então, deve haver um esforço primário próximo, talvez pouco menos do que 3%, porque em 2022, o haverá um pequeno superávit. Cada ponto do PIB corresponde a R$ 90 bilhões.</p>



<p>A isso deve se somar os efeitos da PEC aprovada recentemente, em torno de 2% do PIB, cuja despesa, em sua maioria, será permanente, com ocorrência nos exercícios vindouros.</p>



<p>Nessas circunstâncias, os juros continuarão altos, como meio de conter a inflação e também pelo maior risco visto pelos tomadores de títulos, quando a situação fiscal se agrava. Juros altos também limitam o crescimento e o resultante disso tudo é maior endividamento, que gera mais juros.</p>



<p>Se um grande crescimento não ocorrer, a situação poderá ficar insustentável.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> No curto prazo, como há capacidade ociosa, o PIB pode crescer a taxas maiores. No longo, entretanto, o crescimento real fica próximo ao potencial, cujo cálculo é controvertido, mas fica próximo a 2%.&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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