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	<title>Política monetária &#8211; Darcy Francisco</title>
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		<title>MMT: um delírio para as  condições brasileiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Jan 2023 11:27:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Política monetária]]></category>
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					<description><![CDATA[Começo por definir MMT, que é a sigla em inglês de “Modern Monetary Teory” ou em português, Teoria Monetária Moderna, que inverte a maioria dos conceitos econômicos conhecidos até então. Podemos chamá-las também de Finanças Funcionais, denominação atribuída ao economista Abba Lerner, um contraponto às Finanças Públicas Saudáveis ou Ortodoxas. Estas últimas defendem o equilíbrio [&#8230;]]]></description>
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<p>Começo por definir MMT, que é a sigla em inglês de “Modern Monetary Teory” ou em português, Teoria Monetária Moderna, que inverte a maioria dos conceitos econômicos conhecidos até então. Podemos chamá-las também de <strong>Finanças Funcionais</strong>, denominação atribuída ao economista Abba Lerner, um contraponto às Finanças Públicas Saudáveis ou Ortodoxas.</p>



<p>Estas últimas defendem o equilíbrio orçamentário e o controle do crescimento da dívida, mediante a formação de <strong>superávit primário</strong>, onde as receitas devem gerar um excedente sobre as despesas, a ser destinado ao pagamento da dívida, visando redução desta ou, no mínimo, seu comportamento estável ou decrescente em relação ao PIB. Esta é a posição do “<em>mainstream</em>” econômico, com a qual concordo.</p>



<p>Já, as <strong>Finanças Funcionais</strong> desenvolvem uma posição contrária. A teoria afirma que os gastos públicos não precisam ser financiados, pois são uma <strong>emissão de moeda, </strong>que deve ser feita antecipadamente. Os impostos vêm depois, porque as pessoas precisam dos recursos para pagá-los. Isso seria uma enorme incoerência, porque na economia as operações são um <em>continuum</em>, não sendo possível estabelecer o que vem primeiro e o que vem depois. É a velha questão nunca resolvida: Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?</p>



<p>Mas essa ideia é explicável na concepção de gastos e tributação da teoria em questão. Porque? <strong>Porque os impostos não são um recurso para financiar as despesas, mas um meio para enxugar a moeda existente na economia. Os pagamentos são feitos mediante emissão de moeda</strong>.  O déficit público é um fator gerador de moeda e de renda para as pessoas.</p>



<p>A teoria afirma também que um governo que emite sua própria moeda, a <strong>moeda soberana</strong>, <strong>nunca pode ir à falência ou ser incapaz de pagar suas contas, desde que elas sejam feitas na moeda que ele emite</strong>. Isso inclui o pagamento de juros aos detentores da dívida pública e os compromissos de pagamento das aposentadorias.</p>



<p>Sempre haverá recursos, bastando para isso uma autorização do Congresso Nacional, para que Tesouro e Banco Central façam as operações necessárias. Diz ainda: <strong>“Não é necessário que se ampliem tributos ou que se realizem empréstimos junto ao setor privado para que esses gastos sejam realizados.</strong> <strong>Trata-se sempre de mera decisão política</strong>”. (Cartilha citada nas Referências Bibliográficas, que não contém páginas numeradas).</p>



<p>Somente com essa concepção financeira pode ser chamado<strong> o teto de gastos de estupidez. </strong>Ele pode ter sido concebido com alguns equívocos, mas é uma tentativa de segurar a despesa, num país que ela cresce há mais de três décadas, 0,4 ponto percentual do PIB ao ano.</p>



<p>No entanto, a teoria exclui dessa <strong>condição a dívida externa, </strong>porque a ela é expressa em moeda estrangeira. Para pagá-la, ela necessita de moeda dessa origem, especialmente dólares.</p>



<p>Diante disso, podem ser feitas as seguintes considerações:</p>



<ol class="wp-block-list" type="1">
<li>Pelo orçamento para ano de 2023 está previsto um déficit primário que, com os ajustes da <strong>PEC de Transição</strong>, será <strong>de R$ 231,5 bilhões</strong>. Além dele, a soma assombrosa de juros da dívida de<strong> R$ 658 bilhões</strong>, totalizando um <strong>déficit nominal</strong> <strong>de R$ 890 bilhões!</strong></li>
<li>Pela MMT, se o Congresso autorizar, esse déficit pode ser pago ou rolado por emissão de moeda. Com isso, todo esse aumento da base monetária não geraria inflação?</li>
<li>Mesmo desacreditando na Teoria Quantitativa da Moeda (TQM), conforme defende o economista André Lara Resende, que diz que ela nunca foi comprovada na prática, em pouco tempo nossa economia ficaria inundada de moeda.</li>
<li>Se os déficits criam moeda, como afirma a MMT, e essa moeda for para a economia, sem que haja produção suficiente, não precisa se valer da TQM, para provar que haverá inflação. É a lei da oferta e da procura que nos ensina o que ocorre aumento de preços nessas condições.</li>
<li>A <strong>ajuda emergencial</strong> ocorrida após a covid é usada como argumento para os defensores na teoria <strong>de que sempre há dinheiro</strong>. O mesmo fato serve para contra-argumentar com <strong>salto inflacionário ocorrido em 2021</strong>, o que não quer dizer que foi não uma medida saudável e indispensável.</li>
</ol>



<p>Acho que podemos estar diante de um novo <strong>encilhamento</strong>, tal qual ocorreu no início da República (1989/91), quando houve impressão de moeda em profusão, causando grande crise e inflação.  A Conta Movimento do Banco do Brasil nas décadas de 1970 e 1980 foi uma das causas da alta inflação da época. Mas não precisa irmãos tão longe. Fiquemos com a Nova Matriz Econômica, do Governo Dilma, que além de inflação, gerou uma queda de mais 7% do PIB.</p>



<p><strong>Finalizando, podemos dizer que mesmo que o governo atual venha aplicar alguns postulados na MMT, será apenas parcialmente. Isso, porque, colocar em execução todos seus mandamentos seria, como diz o título deste texto: “um delírio para a condições brasileiras</strong>.</p>



<p>Porto Alegre, 4 de janeiro de 2023.</p>
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