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	<title>Lei de Responsabilidade Fiscal &#8211; Darcy Francisco</title>
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		<title>O Brasil não corre o risco de dar certo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Feb 2022 11:51:23 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Déficit público]]></category>
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					<description><![CDATA[O Brasil possui uma lei de responsabilidade fiscal considerada uma das melhores do mundo. Antes dela e mesmo depois dela, não a cumprindo ou aproveitando brechas para descumpri-la, foram aprovadas normas legais que, mesmo que positivas para algumas categorias sociais e econômicas, produziram grandes desequilíbrios orçamentários. Quando isso ocorre, esses desequilíbrios são cobertos por mais [&#8230;]]]></description>
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<p>O Brasil possui uma lei de responsabilidade fiscal considerada uma das melhores do mundo. Antes dela e mesmo depois dela, não a cumprindo ou aproveitando brechas para descumpri-la, foram aprovadas normas legais que, mesmo que positivas para algumas categorias sociais e econômicas, produziram grandes desequilíbrios orçamentários.</p>



<p>Quando isso ocorre, esses desequilíbrios são cobertos por mais endividamento, que resulta em mais juros, que é pago pelo cidadão, seja mediante aumento de impostos ou mais inflação, que acaba recaindo sobre os mais pobres. Outra consequência é a redução dos serviços básicos do setor público, de que fazem uso principalmente também as camadas mais pobres da sociedade.&nbsp; É o caso das carências na educação, com a baixa qualidade do ensino; na segurança pública, com policiais a menos nas ruas; e na saúde, com o aumento das filas de atendimento, só para citar algumas das consequências.</p>



<p>E lei de responsabilidade fiscal surgiu, não para limitar simplesmente os gastos com pessoal na administração pública, como muita gente prega, mas para, disciplinando esses gastos, destinar mais recursos para as áreas básicas.</p>



<p>Na contramão disso tudo, tramitam no Congresso Nacional duas propostas que visam reduzir impostos, retirando a obrigação de compensação, pelo aumento de outros itens de receita ou pelo corte de despesa.</p>



<p>Pagar menos impostos é o desejo de todos, mas isso só pode ser feito agindo sobre suas causas, que estão no tamanho da despesa. O déficit federal que vinha se reduzindo, experimentou grande aumento com as medidas de enfrentamento do coronavírus, mas isso era inevitável e é legal. &nbsp;Os gastos primários do governo federal que eram de menos de 13,7% do PIB, em 1991, alcançaram 24% em 2019, atingindo 30% em 2020.</p>



<p>Os estados, hoje estão numa situação financeira muito melhor, fruto do crescimento da receita e, principalmente, da contenção de despesa. Se retirarmos essas travas da lei de responsabilidade fiscal, em seguida voltaremos para a situação anterior, com enormes déficits e endividamento crescente.&nbsp; Nosso estado é testemunha disso. Quando assistimos a essas propostas vindas daqueles que exercem os maiores cargos públicos, como a <strong>PEC DOS COMBUSTÍVEIS</strong>, passamos acreditar na frase do economista Roberto Campos, que dá título a este artigo: “O Brasil é um país que não corre o risco de dar certo”.</p>



<p>Publicado em 9/2/2022 no Jornal do Comércio. Para ler no jornal, clique <a href="https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/opiniao/2022/02/832440-o-brasil-nao-corre-o-risco-de-dar-certo.html">aqui.</a></p>
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		<title>A lição que o coronavírus nos deixa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2020 18:51:22 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
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		<category><![CDATA[Previdência social]]></category>
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					<description><![CDATA[Se aplicássemos mais recursos em saúde pública não evitaríamos o coronavírus, uma praga que independe da vontade dos governantes, mas certamente teríamos reduzido o sofrimento de muitas pessoas que acabaram morrendo por insuficiência de recursos materiais para seu atendimento. E, entre as várias causas, dessa carência de recursos, além de sermos um país pobre, está [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Se aplicássemos mais recursos em saúde pública não evitaríamos o coronavírus, uma praga que independe da vontade dos governantes, mas certamente teríamos reduzido o sofrimento de muitas pessoas que acabaram morrendo por insuficiência de recursos materiais para seu atendimento. E, entre as várias causas, dessa carência de recursos, além de sermos um país pobre, está a irresponsabilidade fiscal e o excesso de despesa previdenciária e os altos gastos com dívida, que não deixam se ser também frutos da irresponsabilidade fiscal. É do que passamos a tratar</p>
<p><strong>Irresponsabilidade fiscal</strong></p>
<p>Desde há muito tempo existe um sentimento de que os governos deveriam aplicar mais recursos em saúde pública. Visando esse objetivo, em 2000, foi editada a Emenda Constitucional n° 29, obrigando os estados aplicarem nessa finalidade 12% e os municípios, 15% da receita líquida de impostos e transferências (RLIT) . Antes disso, já havia outras disposições legais que estabeleciam um percentual mínimo de aplicação em saúde pública. Para a União foi estabelecida regra diferente, mas também visava aumentar os recursos destinados à saúde. Para isso, no entanto, foram estabelecidos pela Constituição Federal de forma compartilhada com a previdência e assistência social, formando a seguridade social, adiante tratada.</p>
<p>A maioria dos estados, no entanto, nunca cumpriu adequadamente o percentual legal estabelecido para a saúde. No RS, de onde tenho maior conhecimento, foram feitas diversas manipulações contábeis para “atingir” esse objetivo. O Estado do RS chegou usar as despesas da Corsan, companhia de saneamento, para tal, sob a alegação de que saneamento é saúde, o que é verdade, só que a despesa era coberta pela tarifa, que era paga pelos usuários, não sendo, portanto, um dispêndio por parte do poder público.</p>
<p>Outros artifícios foram feitos. E o que é pior, sempre com o beneplácito dos tribunais de contas , que, moralmente, não podiam impedir, já que acabaram a eficácia da lei de responsabilidade fiscal (LRF), ao retirarem diversos itens do cômputo da despesa com pessoal, onde deveriam ser aplicados 60% da RCL. Foram retirados 15% da RCL. Com isso, na prática, o percentual mínimo exigido ficou em 75% da referida RCL. Assim, restavam apenas 25% dela para atender às demais destinações orçamentárias (outras despesas correntes, investimentos e serviço da dívida), o que era insuficiente. Diante disso, os estados precisaram buscar subterfúgios para “cumprir” o percentual citado de 12% da RLIT com saúde. Isso aconteceu no Estado do RS e também em muitos estados.</p>
<p>par ler o texto completo, com tabelas e gráficos, clique no link abaixo:</p>
<p><u><span style="color: #000120; background-color: #bfe6ff;"><a href="http://financasrs.com.br/wp-content/uploads/2020/05/A-lição-que-o-coronavírus-nos-deixa.pdf">A lição que o coronavírus nos deixa</a></span></u></p>
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		<title>A conta chegou&#8230;.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2017 10:42:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[A lei de responsabilidade fiscal (LRF) fixou a despesa com pessoal estadual em 60% da  receita corrente líquida (RCL), relacionando em seu artigo 18 os vários itens que a compõem. A RCL é parte da receita corrente que fica com o Estado. Ao fixar a despesa com pessoal em 60%, deixou uma margem de 40% [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A lei de responsabilidade fiscal (LRF) fixou a despesa com pessoal estadual em 60% da  receita corrente líquida (RCL), relacionando em seu artigo 18 os vários itens que a compõem. A RCL é parte da receita corrente que fica com o Estado.</p>
<p>Ao fixar a despesa com pessoal em 60%, deixou uma margem de 40% para  cobrir as demais despesas do governo, inclusive pagar a dívida, e fazer investimentos. Em suma, buscou o necessário  equilíbrio orçamentário.</p>
<p>O cumprimento  adequado da LRF depende do conselho de gestão fiscal, cujo projeto de lei de criação foi encaminhado  ao Congresso Nacional em 2000 e está até hoje pendente aprovação. Com isso, ficou um vazio, que foi ocupado pelos tribunais de contas estaduais.</p>
<p>No RS, em 2001, nosso Tribunal de Contas  retirou uma série de itens que, pela LRF, seriam despesa com pessoal, como: assistência médica, auxílio funeral, creche, refeições, pensão por morte etc. Em seu entendimento, esses itens não são despesa com pessoal, porque o art. 169 da Constituição Federal só se refere a pessoal ativo e inativo, como se as despesas citadas fossem soltas e não se destinassem aos servidores estaduais. São despesas indiretas, mas com pessoal, sim!</p>
<p>Ao excluir despesas correspondentes a 15% da RCL, mas que continuarão sendo pagas, retirou a eficácia da lei . Assim, quando a despesa atingir os 60%, estará, de fato, em 75%, impossibilitando o equilíbrio orçamentário, porque os 25% restantes não pagam nem o custeio integralmente, muitos menos  a dívida e os investimentos.</p>
<p>Mas isso possibilitou aos demais Poderes e órgãos especiais ficarem dentro dos limites da lei. E o Poder Executivo deixou de ter as sansões que advém de seu não cumprimento. Enfim, estabeleceu-se uma cumplicidade conveniente.</p>
<p>No entanto, ninguém ia imaginar que  mais tarde,  para aderir a um regime de recuperação fiscal,  fosse necessário comprovar um percentual maior em pessoal.  Na realidade o Estado aplica bem mais, só que pelos demonstrativos citados (maquilados) isso não aparece.</p>
<p>Como diz o ditado popular: a “mentira tem perna curta” e a verdade se fez presente, cobrando sua conta.</p>
<p>*Artigo publicado na edição desta terça-feira, 28, no <a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/opiniao/noticia/2017/11/a-conta-chegou-alerta-economista-10037441.html">Jornal Zero Hora.</a></p>
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		<title>Análise das propostas do governo Sartori</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Nov 2016 23:52:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Ajuste fiscal]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[O governador Sartori está propondo uma série de medidas voltadas para o equilíbrio das contas públicas, sendo, sem dúvida, o maior ajuste fiscal feito até então,  por qualquer governo estadual.   Segundo a imprensa, o governo espera fazer uma economia de R$ 6,7 bilhões em quatro anos, se tudo for aprovado. Não tenho porque, nem [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;" align="center"></div>
<div style="text-align: center;" align="center"></div>
<div style="line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">O governador Sartori está propondo uma série de medidas voltadas para o equilíbrio das contas públicas, sendo, sem dúvida, o maior ajuste fiscal feito até então,  por qualquer governo estadual.</span></div>
<div style="line-height: 150%;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Segundo a imprensa, o governo espera fazer uma economia de R$ 6,7 bilhões em quatro anos, se tudo for aprovado. Não tenho porque, nem como contestar esse valor e acredito que esteja bem dimensionado.</span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Ocorre que existem de três grandes fatores de crescimento da despesa que não serão atingidos pelas medidas propostas, a saber:</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">1)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">O serviço da dívida que  ficou muito menor com a renegociação feita em abril/2016,  representará um dispêndio significativo a partir do momento em que cessarem completamente os descontos obtidos. Isso porque a partir de janeiro de 2017,  a prestação passará  a crescer gradativamente a cada mês (em torno de 5%), recompondo seu valor total em julho/2018. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">2)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Os reajustes concedidos no governo passado, que transformarão a folha da segurança maior do que a da educação em 2018 (considerando ativos, inativos e pensionistas). Sem entrar  no mérito desses reajustes, que foram justos e merecidos e o mais que se quiser dizer deles de positivos, eles não preenchem uma condição fundamental: </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">a compatibilidade com as finanças estaduais.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">3)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">A despesa previdenciária, que continuará alta e crescente, a despeito das propostas feitas, mesmo se aprovadas. Enquanto não houver uma reforma que retarde as aposentadorias e aumente o período de contribuição, sensivelmente,  e sem que haja mudança nas regras permissivas das pensões,  não há solução permanente para as finanças estaduais. </span></div>
<div style="line-height: 150%;"></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Para reduzir os gastos com previdência imediatamente só há uma alternativa: uma </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">contribuição complementar</span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">. Mas  isso dificilmente passaria na Assembleia Legislativa, além de ser inconstitucional, porque seria um confisco salarial, segundo decisão anterior do STF.  Mas ela podia ter sido proposta, diante da situação calamitosa das finanças, que poderá se agravar muito mais. </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Além disso, seria uma maneira </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">indireta</span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> de </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">reduzir o grau de reposição</span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">, que é a relação entre a última remuneração e o valor do benefício inicial da aposentadoria, pratica adotada em todos os países. Não alterando as regras da previdência, os servidores somente serão aposentados pela média das remunerações na segunda metade  da década de 2030. Até lá a </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">maioria </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">receberá a integralidade das remunerações,  por um período, muitas vezes, superior ao laboral.  </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">As medidas propostas são boas, mas incapazes de reduzir suficientemente o déficit. As principais são as seguintes:</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">a)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Aumento da alíquota previdenciária em 0,75 ponto percentual (Mais ou menos R$ 120 milhões anuais);</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">b)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Não acumulação de aposentadoria e pensões, quando a soma de ambas superarem o teto constitucional; </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">c)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Aumento de cinco anos na atividade fim na segurança, embora haja dúvida sobre sua viabilidade, porque a lei que trata do assunto é federal (LCP 51/1985). Mas se trata de uma media importante;</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">d)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Fim dos adicionais de 15% e 25% sobre a remuneração dos ativos,  que terá influência na atividade e  na previdência futura. Uma medida boa, porque reduz o crescimento vegetativo da folha;</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">e)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Fim da promoção na Brigada no momento da aposentadoria. Outra medida boa;</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">f)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">     </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">O repasse aos Poderes pela receita efetivamente ingressada, em vez da prevista, provocará uma economia de R$ 500 milhões anuais. Uma medida justa, porque não há como distribuir um dinheiro que não existe.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">g)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">    </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Extinção de fundações com pouco efeito na redução da despesa, porque os serviços terão que continuar sendo feitos e parte do pessoal não poderá ser demitido; </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><!-- [if !supportLists]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">h)<span style="font-size: 7pt; font-stretch: normal; font-variant-numeric: normal; line-height: normal;">   </span></span><!--[endif]--><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> No rol das fundações que serão extintas está a FEE. A ínfima despesa que será reduzida  e a perdas das informações e dos serviços relevantes prestados pela  Fundação indicam que se trata de uma decisão equivocada. Só para efeito de comparação,  o acréscimo anual das despesas pelos reajustes da segurança, considerando ativos, inativos e pensionistas, supera R$ 1,2 bilhão. A extinção da FEE produz uma economia de R$ 17 milhões anuais. Não estou, com isso, querendo retirar os reajustes da segurança, estou apenas mostrando o significado mínimo que há com a  extinção da Fundação referida.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-indent: -18pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">O governo do Estado aprovou  a lei de responsabilidade fiscal estadual, uma grande medida estrutural;  conseguiu fazer a repactuação da dívida, que pode não ser a ideal, mas com o passar do tempo o serviço da dívida ficará </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">cada vez menor em relação à receita</span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">, porque a ela não está vinculado, como antes. Estará em torno de 8% da receita corrente líquida em 2019 (11% da RLR),  valor que só é alto em função da péssima situação financeira do Estado. Conseguiu aprovar  a previdência complementar. </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Diante disso e sendo o Estado do RS o que mais compromete recursos com previdência em relação a sua receita, nosso governador poderia </span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">liderar um movimento nacional,</span><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> envolvendo governadores e parlamentares (senadores e  deputados), visando uma reforma da previdência que corrija as maiores distorções hoje existentes. </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Essa reforma, junto com as medidas já tomadas, antes referidas,  seria capaz de conduzir o Estado ao equilíbrio orçamentário permanente. </span></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt;"></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt; text-align: center;" align="center"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Porto Alegre, 30 de novembro de 2016.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt;"></div>
<div style="line-height: 150%; margin-left: 36pt;"></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 42.55pt;"></div>
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		<item>
		<title>Suspensão da LRF estadual: um ato inconsequente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 May 2016 19:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; Se você torturar os dados por tempo suficiente, eles confessam. Um economista britânico. Dentre as diversas razões que levam ao desequilíbrio orçamentário dos Estados a principal é a  despesa com pessoal excessiva, para o que a lei de responsabilidade fiscal –LRF ( Lei 101/2000)  estabeleceu um limite de 60% da receita corrente líquida (RCL), [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: right;" align="right"><span style="font-size: 10.0pt;">Se você torturar os dados por tempo suficiente, eles confessam.</span></div>
<div style="text-align: right;" align="right"><span style="font-size: 10.0pt;">Um economista britânico.</span></div>
<div style="text-align: right;" align="right"></div>
<div style="line-height: 150%; text-align: center;" align="center"></div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify;">Dentre as diversas razões que levam ao desequilíbrio orçamentário dos Estados a principal é a  despesa com pessoal excessiva, para o que a lei de responsabilidade fiscal –LRF ( Lei 101/2000)  estabeleceu um limite de 60% da receita corrente líquida (RCL), assim discriminado:</div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify;"></div>
<div style="line-height: 150%;">Legislativo, incluindo o Tribunal de Contas: 3%;</div>
<div style="line-height: 150%;">Judiciário: 6%;</div>
<div style="line-height: 150%;">Executivo: 49%</div>
<div style="line-height: 150%;">Ministério Público: 2%.</div>
<div style="line-height: 150%;"></div>
<div style="line-height: 150%; text-indent: 1.0cm;">A LRF ,  também  em seu art. 2°, inciso IV, definiu  receita corrente líquida (RCL) e, em seu art. 18,   despesa com pessoal.</div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Estabeleu, ainda,   em seu artigo 67, que seria criado um conselho de gestão fiscal para dirimir as possíveis dúvidas, entre outras atribuições. Como esse conselho ainda  não foi criado, coube aos tribunais de contas interpretarem a lei, tanto no tocante  ao que seja despesa com pessoal, bem como  a RCL.</div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Se fossem cumpridas adequadamente as disposições da LRF,  o Estado despenderia no máximo 60% da RCL com pessoal e os 40% restantes seriam suficientes para atender as demais despesas, restando uma margem para investir, que poderia chegar a 10%. Mas não foi isso o  que aconteceu.</div>
<div style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; mso-add-space: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">No Estado do RS, por exemplo, <b>foram excluídos</b> pelo Tribunal de Contas, as pensões por morte, <span style="color: #333333; mso-bidi-font-style: italic;">a despesa com a assistência médica dos servidores, o auxílio funeral, creche, bolsa de estudos, transporte e refeições (e/ou etapas de a alimentação), e, principalmente, o Imposto de Renda Retido na Fonte dos Servidores, que foi excluído também do cálculo da RCL. </span></div>
<div style="line-height: 150%; mso-add-space: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><span style="color: #333333; mso-bidi-font-style: italic;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; mso-add-space: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><span style="color: #333333; mso-bidi-font-style: italic;">Com isso<b>, foi retirada</b> <b>a eficácia da lei</b>, porque, na prática, acabaram com o limite da despesa com pessoal.</span></div>
<div style="line-height: 150%; mso-add-space: auto; mso-margin-bottom-alt: auto; mso-margin-top-alt: auto; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><span style="color: #333333; mso-bidi-font-style: italic;"> </span></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">A bem da verdade deve ser dito que há algumas exclusões estabelecidas pela própria LRF, como a contribuição dos servidores e que, junto com IRRF sobre as remunerações dos mesmos servidores (excluído pelo TCE-RS), são recursos que ficam em poder dos Estados. Por isso, sua exclusão pode ser feita da despesa com pessoal para que se chegue ao dispêndio efetivo pelos Estados.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Em 2014, a despesa líquida com pessoal (deduzida do IRF e das contribuições previdenciárias) alcançava  <b>67% da RCL</b>, mas, segundo os critérios estabelecidos  Tribunal de Contas do Estado,  ficava em <b>53,6% da RCL.</b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><b> </b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Se 53,6% corresponde a um gasto efetivo de 67%, quanto a despesa atingir 60%, ela estará, de fato,  em 75% da RCL, como é demonstrado pela <b>regra de três</b> seguinte:</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Se 53,6%        =      60%</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">67%                =       X</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><b>X = (67%  x  60% ) / 53,6% =  75%.</b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><b> </b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><b>Ficaram fora do cômputo da despesa com pessoal 13,4% da RCL, importância muito maior que os dispêndios com a dívida, que atingem menos de 11% (são 13% da RLR). </b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"><b> </b></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Conforme já referido, sem discutir os aspectos jurídicos (questionáveis,) que levaram à interpretação dessas exclusões, a verdade é que ela tirou a <b>eficácia da lei</b>, porque, se forem despendidos 75% da RCL em despesa com pessoal, os 25% restantes são insuficientes para suportar as demais despesas correntes. Com isso,  nada resta para fazer investimentos e para pagar o serviço da dívida. <b>O déficit é uma consequência inevitável </b>(Tabela no final).</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Por isso,  temos esses enormes e recorrentes déficits nas contas públicas estaduais, que se acentuarão com o tempo. Nada adianta escondê-los com maquiagens, porque um dia eles aparecerão, como indica a frase em em epígrafe.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Além disso, o governo passado criou despesas com pessoal que vão até 2018, contrariando os artigos 15 e 16 da mesma LRF. Criou despesas de caráter continuado sem que houvesse receita com essa característica para suportá-las. Isso foi repetido em vários Estados, que hoje estão de pires na mão junto ao Ministério da Fazenda. As despesas criadas ficam para sempre na folha e, ainda, recebem incremento até 2018. Mas os recursos utilizados para esses reajustes, como os depósitos judiciais,  se esgotaram.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Para <b>solucinar todos esses descumprimentos da LRF federal</b>, o governo do Estado do RS editou <b>a LRF estadual</b> (Lei n° 14.836/2016), que era para ser a redenção das finanças estaduais no futuro.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Mas por surpresa e desgosto, li na Zero Hora de hoje, 28/05/2016, na p.10, que a justiça a suspendeu no tocante aos outros Poderes, por solicitação das corportações. Trata-se de uma <b>iniciativa inconsequente</b> de quem não tem nenhum compromisso com o equilíbrio das finanças estaduais, condição indispensável para  o atendimento das necessidades básicas da população, como o pagamento de um salário adequado ao magistério, que recebe pouco como a maioria do Executivo e  com atraso, o que ocorre com todos deste Poder.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Com isso, o Estado continuará fazendo déficits sobre déficits, pagando salários miseráveis para a maioria dos servidores, com as estradas nas piores condições, a saú<span style="line-height: 150%; text-indent: 1cm;">de deixando a desejar, a educação deficiente  e os presídios que não passam de masmorras. Nada disso interessa, o que interessa é o atendimento dos interesses corporativos de certas categorias!</span></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">As pessoas que tomam essas iniciativas não entendem nada das finanças estaduais ou, se entendem, ignoram que no Estado há onze milhões de pessoas com enormes carências em todas as sua áreas de competência e que continuarão na mesma situação.</div>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;"></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="line-height: 150%; tab-stops: 61.5pt; text-align: justify; text-indent: 1.0cm;">Se isso não for revisto e revogado, <b>a alternativa que resta é o Salgado Filho e as BRs 101 ou 116.  O Rio Grande não terá saída,  </b>mesmo sendo a <b>quarta economia</b>, do País<b>. </b>Que já desceu para a <b>quinta.  </b>Uma pena!</p>
<div style="clear: both; text-align: center;"><a style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;" href="https://4.bp.blogspot.com/-XIZf7U5psWw/V0oDumqfSkI/AAAAAAAAAx8/sBEWXtOtYukmuct0oUx0YCnle1Dwh0qCgCLcB/s1600/Pessoal%2BLRF%2B2014.PNG"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://4.bp.blogspot.com/-XIZf7U5psWw/V0oDumqfSkI/AAAAAAAAAx8/sBEWXtOtYukmuct0oUx0YCnle1Dwh0qCgCLcB/s320/Pessoal%2BLRF%2B2014.PNG" width="320" height="276" border="0" /></a></div>
</div>
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		<title>Oportunidade perdida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2015 14:51:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[A lei de responsabilidade fiscal (LRF)  estabeleceu uma série de regras para a administração pública que, se fossem cumpridas, cessariam os déficits orçamentários, fator causador dos altos juros que consomem grande parte dos recursos que seriam destinados às  funções básica de governo.   No tocante à despesa com pessoal, ela fixou um limite de 60% [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 0cm;"><span style="font-size: 12pt;">A lei de responsabilidade fiscal (LRF)  estabeleceu uma série de regras para a administração pública que, se fossem cumpridas, cessariam os déficits orçamentários, fator causador dos altos juros que consomem grande parte dos recursos que seriam destinados às  funções básica de governo. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 0cm;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">No tocante à despesa com pessoal, ela fixou um limite de 60% da receita corrente líquida (RCL), com a respectiva participação de cada Poder  </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Ao mesmo tempo em que fixou esse limite, estabeleceu em seu artigo 18 o que seria despesa com pessoal. Como até hoje não foi aprovado o projeto que cria o Conselho de Gestão Fiscal nela estabelecido, que há 15 anos dorme no Congresso Nacional,  os tribunais de contas estaduais ocuparam esse espaço. E, ao interpretarem o artigo citado, o fizeram com base no art. 169 da Constituição federal, cuja redação cita somente  pessoal ativo e inativo. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Em decorrência, o Tribunal de Contas do RS (e, talvez, os demais do País) retirou do cômputo da despesa com pessoal para efeito da LRF pensões, assistência médica dos funcionários, creches, bolsas de estudo e transportes, refeições e etapas para alimentação e Imposto de Renda descontados dos servidores. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Entendo que não cabe essa exclusão, porque  pensão é o benefício deixado para seus dependentes  por um servidor ativo ou inativo, quando morre e  deixa de receber sua remuneração. E os demais itens são despesas indiretas com pessoal, porque não existem por si, mas em função de um servidor ativo, inativo ou pensionista.</span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Com isso, o próprio TCE-RS diz que a despesa com pessoal em 2013 foi 71,7% da RCL, mas para efeito da LRF foi apenas 51,2%, portanto, 20,5 pontos percentuais a menos. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Assim, se atingir o limite de 60%, estará de fato em 80% da RCL. Como só com o custeio é despendido mais de 25%, só aí passa de 100% da RCL, não restando recursos para investimentos e para  pagar a dívida. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Os tribunais de contas deveriam rever essa interpretação, porque ela, ao retirar a eficácia da lei, está desperdiçando uma oportunidade ímpar para eliminar os déficits. </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"><b>Observação</b>: <i>Deve ser destacado que a metade dessa diferença decorre do IRRF (5,7%) e contribuição dos servidores (4,7%), sendo que o IRRF foi retirado pelo TCE. Já a contribuição dos servidores decorre da própria LRF.</i></span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Para ler o texto na Zero Hora, clique <a href="http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2015/08/25/artigo-oportunidade-perdida/?topo=13,1,1,,,13" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui</a>.</span></div>
<div style="margin-left: 0cm; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
]]></content:encoded>
					
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		<title>A Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Jun 2015 13:03:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[Dentre as medidas do govenador Sartori para a redução do déficit público, a mais importante é a lei de responsabilidade fiscal estadual (LRF), que, aliás, seria desnecessária, se interpretassem adequadamente a LRF vigente. O limite dos gastos com pessoal sobre a receita corrente líquida   (RCL) para toda a administração estadual é  60%, que vem sendo [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: right;" align="right"></div>
<div style="text-align: justify;">Dentre as medidas do govenador Sartori para a redução do déficit público, a mais importante é a lei de responsabilidade fiscal estadual (LRF), que, aliás, seria desnecessária, se interpretassem adequadamente a LRF vigente.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">O limite dos gastos com pessoal sobre a receita corrente líquida   (RCL) para toda a administração estadual é  60%, que vem sendo “cumprido”, em virtude das exclusões feitas. Isso porque, na prática, esses gastos estão em 75,5%, conforme Mensagem do Governador à Assembleia Legislativa 2015, p.64.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">A LRF estadual vai disciplinar um aspecto muito importante para uma administração pública responsável,  que é não criar despesa permanente contando com recursos provisórios. A não observância dessa regra foi o que colocou o Estado nessa situação de ingovernabilidade.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">É bom que se diga que o Estado é deficitário há quatro décadas, no mínimo, mas vinha se ajustando. Por exemplo, a margem para investir que foi de 10,3% negativos em 1999, chegou em 6,9% positivos em 2010, descendo para 6,7% negativos em 2014. O ajuste que vinha sendo feito foi abandonado e os déficits retornaram com mais força. E, ainda, foram esgotados os recursos extras.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">Se não podemos conceder reajustes salariais sem a garantia de receita permanente para honrá-los, como é possível a concedê-los a taxas anuais que chegam a de três vezes o crescimento estimado para a receita, como foi feito?</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">A LRF proíbe a concessão de reajustes salarias faltando oito meses para o término do período governamental, mas não veda expressamente essa concessão em anos anteriores para vigorarem no período governamental seguinte. E isso precisa ser disciplinado de forma clara para evitar os pareceres casuísticos, que acabam inviabilizando as leis.</div>
<div style="text-align: justify;"></div>
<div style="text-align: justify;">O Estado precisa estabelecer uma meta de redução anual do déficit, e dela não se afastar, como se fosse uma cláusula pétrea constitucional. Se essas cláusulas existem para manter direitos individuais por que não podem existir para preservar os interesses da sociedade? Daí a importância de uma  LRF estadual.</div>
<div style="text-align: right;" align="right"></div>
<div>
<div>Artigo publicado na Zero Hora de 06/06/2015. Para lê-lo no jornal, clique<a href="http://financasrs.com.br/arquivos/15%20anos%20LRF1"> Aqui.</a></div>
</div>
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			</item>
		<item>
		<title>Contabilidade criativa no Brasil</title>
		<link>https://darcyfrancisco.com.br/2013/11/12/contabilidade-criativa-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 Nov 2013 19:12:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos tempos tem sido praticada uma série de ações que pode colocar em risco o equilíbrio macroeconômico_ conseguido a alto custo pelo Plano Real_ e os fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso se convencionou chamar de contabilidade criativa, que é uma manobra fiscal visando a mascarar o cumprimento de metas ou o resultado [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12.0pt;">Nos últimos tempos tem sido praticada uma série de ações que pode colocar em risco o equilíbrio macroeconômico_ conseguido a alto custo pelo Plano Real_ e os fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso se convencionou chamar de contabilidade criativa, que é uma manobra fiscal visando a mascarar o cumprimento de metas ou o resultado fiscal do ente público.</span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">A contabilidade criativa não cria recursos, portanto, não atinge a finalidade, apenas mascara a situação, substituindo o fato pela versão. É como o mau aluno que, na prova, substitui o saber pela cola. Passa de ano, mas não se prepara para a vida. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">As lacunas na Lei de Responsabilidade Fiscal e o afrouxamento da fiscalização dos Tribunais de Contas deixam de disciplinar o uso de algumas práticas que afetam a transparência das contas públicas, como o uso de empresas não dependentes e a utilização de recursos vinculados através do caixa único para financiar despesas correntes da Administração Direta.</span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;"> A contabilidade criativa ganhou uma dimensão nacional e internacional devido as constantes críticas que o Ministério da Fazenda e o Tesouro Nacional vêm sofrendo por alterar o resultado primário do governo central. A conhecida economista Tereza Ter-Minassian enumerou três procedimentos de contabilidade criativa adotados pelo Governo Federal: (i) retirada de investimentos públicos do Programa de Aceleração do Crescimento e benefícios fiscais do cômputo do resultado primário; (ii) a antecipação de dividendos de empresas e bancos federais e de vendas de direitos de exploração de petróleo do pré-sal nos cálculos; (iii) empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal como estímulo ao crescimento econômico.</span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">Podemos citar alguns exemplos dessa prática, começando pela capitalização da Petrobras em 2010, quando foram utilizados para engordar o superávit primário R$ 31,9 bilhões, elevando-o de 1,3% para 2,2% do PIB. Esse recurso teve origem na venda de um petróleo que está a 7 mil metros de profundidade, mediante uma engenharia financeira, que foi baseada em lançamento de títulos da dívida pública. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">No que tange aos empréstimos concedidos pelo Tesouro Nacional ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e à Caixa Econômica Federal desde 2009, têm sido justificados como meio de impulsionar o consumo e os investimentos. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">A emissão de títulos públicos para injetar mais dinheiro nos bancos estatais não afeta a dívida líquida, porque o crédito correspondente neles gerados é deduzido da dívida bruta, embora tenham uma liquidez muito menor do que as operações da dívida que lhe deram origem. O repasse de recursos aos bancos públicos, segundo Gustavo Loyola, passou de R$ 14 bilhões no final de 2007 (0,5% do PIB) para R$ 406 bilhões no final de 2012 (9,2% do PIB). </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">Grande parte desses recursos é utilizada pelos bancos oficiais em empréstimos a grandes empresas brasileiras, denominadas “campeões nacionais”, que adquirem outras do mesmo setor, formando monopólios em prejuízo do consumidor. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">O diferencial dos juros entre o custo de captação e o valor recebido do BNDES constitui um subsídio implícito bancado pelo Tesouro Nacional e será suportado pelo contribuinte mediante o pagamento de impostos. Segundo Ribamar Oliveira, montante do subsídio implícito passará de R$ 11,31 bilhões no corrente exercício para R$ 15,67 bilhões em 2014 (Valor Econômico, 7/11/2013). </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">O valor do subsídio não é lançado na contabilidade pública. Paradoxalmente, os dividendos gerados por esses empréstimos nos bancos públicos são transferidos ao Tesouro Nacional para melhorar a meta de resultado primário do governo central. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">Essas operações reproduzem a chamada conta movimento existente na época do regime militar em que toda necessidade de recursos era suprida mediante transferência do Banco Central ao Banco do Brasil, vindo tais recursos da dívida pública. A conta movimento, uma verdadeira “fábrica” de inflação, foi extinta em 1986, mas suas práticas foram retomadas pelo atual governo. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">No âmbito dos entes subnacionais, a “criatividade” dos gestores públicos não conseguiu ser refreada pela LRF. Por exemplo, o Estado do Rio Grande do Sul possui uma dívida paralela que começou em 1999, que são os saques do caixa único, que engloba recursos vinculados pela Constituição e por leis, recursos de fundos especiais, de empresas estatais e depósitos judiciais, importando estes últimos em R$ 6,5 bilhões, dos quais R$ 4,5 foram sacados no atual governo. Utilizados no custeio de gastos correntes, isso se generalizou entre os estados e capitais brasileiros, como se esse dinheiro lhes pertencesse. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">A mudança na dívida, que poderia ser um alívio para as finanças estaduais, poderá ser uma faca de dois gumes, ao abrir espaço para mais endividamento, aumentando seu custo, uma das grandes queixas dos estados. Ainda nem votada a lei que a aprovará,  o Governo Federal já autorizou a contratação de mais R$ 89 bilhões de dívida para os estados. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">O Estado do RS, por exemplo, foi contemplado com RS 2,6 bilhões, e só tem margem para endividamento porque a regulamentação feita pela STN vem contra ao espírito da LRF, ao mandar colocar apenas um traço no local destinado às disponibilidades, quando negativas, denominando-as de insuficiências financeiras, que são de R$ 3,6 bilhões. É como se alguém não incluísse nas suas dívidas o saque a descoberto do cheque especial. Trata-se de uma prática antiga que foi mantida no Manual de Demonstrativos Fiscais válido para 2013, 5ª edição – STN, aprovado pela Portaria n° 37 de 18/10/2012, p. 552. </span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">Outro aspecto, que não se trata propriamente de contabilidade criativa, mas é uma afronta à LRF, são as concessões de altos reajustes salariais de forma parcelada a serem pagos em todo o período governamental seguinte, inviabilizando-o, como é o caso do RS.</span></div>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">Os fundamentos da LRF e a disciplina fiscal vêm sendo solapados em nome de um <i>keynesianismo tropical</i>, que tem trazido insegurança e dúvidas quanto à condução da política econômica do Brasil. Se não colocarmos um freio nessas práticas, seja na órbita federal e subnacional, as altas taxas de inflação muito breve estarão de volta e o endividamento subnacional estará descontrolado. </span></div>
<p>&nbsp;</p>
<div style="text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12.0pt;">A corrupção, embora abominável e generalizada, não é o maior problema brasileiro, e sim a irresponsabilidade fiscal. A primeira leva os milhões, e a segunda os bilhões! </span></div>
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		<title>Um paralelo entre os governos de FHC e de Lula</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 01:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
		<category><![CDATA[Lei de Responsabilidade Fiscal]]></category>
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					<description><![CDATA[Muitos dos integrantes e partidários do atual governo manifestam-se como se tudo o que ocorre de bom no País tivesse começado com ele, e que antes nada prestava, sendo uma prova disso a demolição do relógio dos 500 anos em Porto Alegre, no ano de 2000, sob a alegação de que não havia nada a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_Xk_aVHB8UlQ/SuBXs4ohkFI/AAAAAAAAAI0/XSGmaZO8fMg/s1600-h/Sal%C3%A1rio+m%C3%ADnimo+real.png"><img decoding="async" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395408782218072146" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 200px; cursor: hand; height: 90px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Xk_aVHB8UlQ/SuBXs4ohkFI/AAAAAAAAAI0/XSGmaZO8fMg/s200/Sal%C3%A1rio+m%C3%ADnimo+real.png" alt="" border="0" /></a> Muitos dos integrantes e partidários do atual governo manifestam-se como se tudo o que ocorre de bom no País tivesse começado com ele, e que antes nada prestava, sendo uma prova disso a demolição do relógio dos 500 anos em Porto Alegre, no ano de 2000, sob a alegação de que não havia nada a comemorar no Brasil.</p>
<p>Muitos feitos de nossos antepassados poderiam ser referidos para mostrar que o Brasil motivo de nosso orgulho vem de antes e não só o Brasil das mazelas e da corrupção. A Petrobrás e o Pró-álcool, dois dos maiores motivos de ufanismo do governo atual, foram criados, respectivamente, nas décadas de 50 e de 70.</p>
<p>Foi pensando nisso que resolvi escrever este texto, fazendo justiça a um governo que foi muito criticado, porque sua principal missão acabou sendo a de preparar as condições necessárias para as ações de seu sucessor.</p>
<p>O Governo Lula continuou e até aprofundou os fundamentos básicos da economia que vieram do governo anterior, como o superávit primário, o câmbio flutuante e as metas de inflação.</p>
<p>Quanto ao superávit primário, que é a poupança formada para pagar os juros da dívida, na época do Governo Fernando Henrique era combatido pelos apoiadores do governo atual, sob a alegação de que ele destinava-se a enriquecer ainda mais os banqueiros. E, por paradoxal que pareça, no período do Presidente Lula foi dobrado o valor formado para esse fim pelo Governo Central, quando passou de 1,3% para 2,4% do PIB.</p>
<p>E isso não foi feito em benefício dos banqueiros, mas do próprio País, que assim reduziu a dívida de 51,3% do PIB em 2002 para 43,1% em junho do corrente ano. Essa redução tornou o País mais atraente para os capitais externos, tendo conseguido o denominado “investment grade”, de que o atual governo tanto se orgulha. E o responsável por essa política, antes tão criticada, está sendo cotado para ser o vice na chapa oficial para a presidência da República na próxima eleição.<br />
A política cambial possibilitou a formação de grandes saldos comerciais, a partir de 2001, ainda no governo de FHC, depois de um longo período de déficits, entre 1995 e 2000. Esses saldos comerciais foram favorecidos pelo grande crescimento da economia mundial, que alcançou uma taxa média de 4,2% entre 2003 e 2009, estando estimada em 3,1% a taxa do último ano.<br />
O período FHC, ao contrário do atual, coincidiu com inúmeras crises internacionais, sendo a do México (1995), a asiática (1997-98), a russa (1998-99) e a argentina (2001), além do atentado às torres gêmeas, em 2001.</p>
<p>Além disso, ocorreu o “apagão”, esse sim um fato nacional, com origem no regime desigual de chuvas no País, somado a uma insuficiente rede de distribuição de energia elétrica.<br />
Em 2002, com a possível vitória de Lula, que acabou se concretizando, os investidores externos, temendo que ele colocasse em prática os discursos feitos ao longo do tempo, propiciaram uma fuga de capitais, o que elevou a cotação do dólar para R$ 4,00 e com grande crescimento da taxa de juros. A inflação passou de 7,7% no ano anterior, para 12,5%, quando medida pelo IPCA, tendo alcançado 26,4%, quando calculada pelo IGP-DI.</p>
<p>Em função dessas crises e da ausência de um superávit primário mais consistente, a economia era mais vulnerável, o que levou o Brasil a pedir socorro ao FMI em mais de uma oportunidade.<br />
O superávit primário começou a ser formado no segundo período de FHC, o que só foi possível com o aumento da carga tributária, que serviu para atender também as inúmeras benesses criadas pela Constituição de 1988, que gradativamente foram sendo colocadas em prática.<br />
Além disso, a queda da inflação, de uma taxa anual de 2.500% (31% ao mês) em 1993, para 22% ao ano em 1995 e 1,7% em 1998, produziu profundas mudanças nas finanças públicas, reduzindo drasticamente a receita financeira e aumentando, com a mesma intensidade, a despesa real.<br />
O resultado disso tudo foi o aumento da carga tributária, que, medida pelos novos critérios, passou de 26,9% do PIB em 1995 para 32,4% em 2002, continuando sua expansão daí em diante, alcançando 35,8% em 2008. E só não atingiu 40% pelos critérios anteriores, porque a nova metodologia, concebida com mais peso nos serviços, a reduziu em torno de quatro pontos percentuais do PIB.</p>
<p>A comparação entre os dois períodos pode-se dizer que é praticamente impossível, por que os cenários foram absolutamente diferentes. O primeiro eivado de crises internacionais e o segundo, de crescimento quase sem precedentes na economia mundial, com exceção de 2009, cuja crise o governo atual enfrentou satisfatoriamente, porque vinha de uma situação favorável.<br />
Fazendo-se uma analogia, é como se duas lavouras de igual tamanho fossem plantadas. A primeira delas cheia de inços e com condições atmosféricas adversas, e a segunda, já sem os inços e em condições atmosféricas favoráveis. Na analogia feita, os inços são os inúmeros entraves da legislação, que foram retirados no primeiro governo em causa, e a condições atmosféricas é a economia global onde o País está inserido.</p>
<p>Apesar da grande oposição existente à época, na verdade, foram as reformas, denominadas de neoliberais, acompanhadas de um cenário externo favorável e da manutenção e do aprofundamento de uma política criada anteriormente que permitiram que o País esteja hoje na situação em que se encontra.<br />
Para não passar em brancas nuvens, apesar dessa enorme carga tributária em que quase 60% fica com a União (20,1% do PIB), os investimentos do Governo Central atingem menos de 1% do PIB, e o superávit primário formado dá para pagar pouco mais da metade dos juros devidos, restando a outra metade para ser incorporada ao estoque da dívida.<br />
Em 2009, a situação piorou, porque ao lado de uma queda real da arrecadação, de 5,4%, a despesa cresceu 10,3%, tendo os gastos com pessoal crescido 13,3%, tudo em termos reais, comparando-se o período de janeiro a agosto do exercício atual com igual período do ano anterior. O superávit primário do Governo Central caiu 70%, passando de 3,9% para 1,2% do PIB.</p>
<p>As principais modificações feitas pelo Governo FHC que propiciaram uma melhora na situação atual foram a privatização de estatais, o que contribuiu para reduzir o déficit público; o fim dos monopólios estatais nos setores de energia e telecomunicações, para o que o setor público não dispunha de recursos para investir; as mudanças quanto ao conceito de capital estrangeiro e o saneamento do sistema financeiro por intermédio dos programas PROES (bancos públicos) e PROER (bancos privados). Esse último fato explica em grande parte o desempenho brasileiro diante da crise atual.</p>
<p>Foi no Governo FHC que começou a reforma da previdência, que estabeleceu, entre outras coisas, a idade mínima para a aposentadoria no setor público aos 53 anos para o homem e aos 48 anos para as mulheres, pelo que foi muito criticado pela oposição da época. O Governo Lula manteve a mudança e, ainda, estabeleceu o desconto de até 35% nos proventos. O desconto em causa não está errado. O problema está é na coerência.</p>
<p>Outra realização importante foi a Lei de Responsabilidade Fiscal, que criou limites para a despesa de pessoal e endividamento, além de uma série de outros procedimentos que favoreceram o tão necessário ajuste fiscal em todos os níveis de governo.<br />
Essa lei trouxe uma série de modificações no relacionamento com os demais entes federados. Ela mais outra importante medida, a renegociação das dívidas estaduais, retiraram uma série de prerrogativas que os estados detinham e que impediam o ajuste macroeconômico, como a emissão de títulos da dívida pública e o financiamento de seus déficits pelos próprios bancos estaduais, obrigando-os, ainda, a fazer ajustes fiscais, com a geração correspondente de resultados primários. Além disso, os estados foram compelidos a vender empresas estatais deficitárias, possibilitado a redução dos gastos públicos.</p>
<p>Na realidade, as políticas sociais do governo Lula são mais abrangentes, para o que a situação econômica e financeira do País é mais favorável. A própria bolsa família é uma unificação e ampliação de políticas sociais anteriores, como bolsa-escola, bolsa-renda e vale-gás. O Programa Luz para Todos é uma ampliação sob outra denominação do Programa Luz no Campo.<br />
O salário mínimo, que cresceu 125% entre 1994 e 2009, teve um crescimento de 45% nos oito anos de FHC (4,7% reais aa.) e de 55% nos sete anos de Lula (6,4% aa). Ver gráfico no início.</p>
<p>As inúmeras privatizações ocorridas no Governo FHC não retiraram o controle governamental, que passou a ser feito pelas agências reguladoras que foram criadas. O sistema ideal é aquele que alia a capacidade produtiva da empresa com políticas sociais que permitam uma melhor distribuição da renda. A primeira é uma função do mercado e a segunda, do estado. Por isso, estado e mercado são instituições diferentes sem ser antagônicas, porque são complementares.<br />
Na opinião pública, as coisas são vistas pelo resultado presente. Sob essa ótica, quando existem coisas boas, o responsável será o governo do momento, porque o resultado da plantação não está na preparação da terra, nem na sua semeadura, mas nos grãos ou nos frutos colhidos. E ninguém questiona quanto e como seria a colheita na hipótese de uma terra mal preparada.</p>
<p>Os governos, como muitas obras humanas, só podem ser avaliados verdadeiramente pela história, quando os que deles participaram não estão mais presentes e os interesses envolvidos são outros. Por tudo isso, somente a história fará o julgamento da participação de cada governo em tudo o que feito nos últimos anos. E nesse “tudo” estão incluídas as coisas ruins. Quem viver verá.</p>
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		<title>Crescimento da despesa com pessoal: a culpa será só da Lei Britto?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Jan 2008 01:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
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					<description><![CDATA[Como vem sendo noticiado pela imprensa, no Governo Britto foi editada uma lei que concedia reajustes salariais à maioria das categorias deservidores públicos, que acabou não sendo cumprida pelo próprio governo que a editou, sob a alegação de que para cumpri-la acabava por desrespeitar a Lei Camata. Só para lembrar, a Lei Camata estabelecia limites [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como vem sendo noticiado pela imprensa, no Governo Britto foi editada uma lei que concedia reajustes salariais à maioria das categorias deservidores públicos, que acabou não sendo cumprida pelo próprio governo que a editou, sob a alegação de que para cumpri-la acabava por desrespeitar a Lei Camata. Só para lembrar, a Lei Camata estabelecia limites para a despesa com pessoal, limites esses que passaram a ser estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, a partir de 2000.<br />
O não-cumprimento da Lei Britto ensejou uma série de ações na justiça,com decisões favoráveis aos servidores, que tinham um direito líquido e certo. Essas decisões judiciais, mais do que seus reflexos atuais, formam um passivo potencial, que causará grandes dificuldades as já tão combalidas finanças estaduais. Embora a causa disso esteja na existência da referida lei, dois outros fatores poderiam ter evitado os malefícios provocados por ela.O primeiro deles era conceder os novos reajustes com base na lei existente ou então, antes de editar uma nova lei, propor a revogação daa nterior que não foi cumprida. Com isso, ações judiciais não teriam existido.<br />
O outro fator, talvez o principal, são as razões que motivaram seu não-cumprimento,q ue são os gastos com pessoal acima nos níveis estabelecidos hoje pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Pois esses níveis, de fato, estão ainda acima dos limites estabelecidos, permanecendo, em decorrência as razões que motivaram seu não-cumprimento. O grande problema está nas interpretações do que seja despesa compessoal pelo Tribunal de Contas do Estado, segundo as quais o Estado comprometeu em 2006, por exemplo, 51,2% da receita corrente líquida.Quando, na realidade, tal percentual, considerando toda a abrangência estabelecida pela lei fiscal, foi de 66,1%. Portanto, há 15 pontos percentuais que são de fato despesa com pessoal e que por uma questão de hermenêutica jurídica não o são.<br />
E isso permitiuque as ações judiciais tivessem curso. Então, se a interpretação do que seja despesa com pessoal seguisse o que está escrito na Lei de Responsabilidade Fiscal, certamente, todas essasações teriam outra decisão. Com isso, o Estado estaria bem mais próximo do necessário ajuste, podendo destinar mais recursos para a educação, saúde e segurança pública, entre outras finalidades.</p>
<p><em>Publicado no Jornal do Comércio de 04/01/2008, p.4.1 </em></p>
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