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	<title>Educação &#8211; Darcy Francisco</title>
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		<title>Cumprimento do percentual de 25% da RLIT em MDE sem utilização da despesa com inativos e pensionistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jun 2025 14:51:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[A Emenda Constitucional nº 108 de 26/08/2020 vedou a estados e municípios a utilização da despesa com inativos e pensionistas para comprovar os gastos em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino – MDE, que devem ser 25% da receita líquida de impostos mais transferências – RLIT. O Estado do RS não vinha cumprindo adequadamente essa obrigação, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Emenda Constitucional nº 108 de 26/08/2020 vedou a estados e municípios a utilização da despesa com inativos e pensionistas para comprovar os gastos em Manutenção e Desenvolvimento do Ensino – MDE, que devem ser 25% da receita líquida de impostos mais transferências – RLIT.</p>



<p>O Estado do RS não vinha cumprindo adequadamente essa obrigação, por insuficiência orçamentária. Diga-se de passagem, sem incluir inativos e pensionistas, nunca cumpriu. &nbsp;</p>



<p>Segundo cálculos constantes do Balanço do Estado de 2024, p. 75, em 2024 foi comprovado 27,78%, mas quando se exclui inativos e pensionistas o percentual atinge 17,86%, faltando 7,14 pontos percentuais, o que correspondia na época a uma <strong>aplicação a menor de R$ 3.635,20 milhões</strong>, considerando a RLIT do ano, de R$ 50.913,2 milhões. &nbsp;</p>



<p>Para regularizar essa situação, em 2024, o Estado do Rio Grande do Sul firmou acordo do a União, por Meio do Ministério da Educação (MEC), com o Fundo Nacional da Educação (FNDE) e com a Advocacia Geral da União (AGU), por meio da formalização do Termo 3/2024, para regularizar a entrega dos termos sobre Orçamento Público em Educação (SIOPE) de 2013 a 2024, após a assinatura do termo, que ocorreu em 11/09/2004.Com relação aos anteriores a entrega será em 2027.</p>



<p>Também em 2024 foi assinado o termo de Autocomposição Judicial, doravante denominado “acordo” entre o Ministério Público estadual e o Estado do Rio Grande do Sul, homologado no âmbito da Ação Civil Pública 5020319-36.2023.8. 21.0001/RS. Com base nele ficou estabelecida uma regra de transição, que estabeleceu o seguinte:</p>



<ol style="list-style-type:lower-alpha" class="wp-block-list">
<li>Cumprimento dos 25% de aplicação em MDE sem o cômputo do custeio de benefícios previdenciários, das contribuições patronais incidentes sobre os proventos de aposentadorias e pensões, bem como das contribuições patronais extraordinárias ao Plano Financeiro.</li>



<li>Neste contexto, o Estado se comprometeu a aplicar a regra de transição a partir de 2025 até 2038, sendo que a partir de 2039 não computará mais em MDE os itens referidos no parágrafo anterior.</li>
</ol>



<p>Conforme antes referido, para chegar aos 25% <strong>é necessário acrescer 7,14</strong> pontos percentuais que em 15 anos, corresponde a 0,4760 &nbsp;pontos percentuais anuais, conforme tabela a seguir. &nbsp;</p>



<figure class="wp-block-table"><table class="has-fixed-layout"><tbody><tr><td colspan="3">Cronograma do acordo &#8211; % a ser aplicado sem as despesas</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td colspan="2">controversas (previdenciárias)</td><td colspan="2">&nbsp;</td></tr><tr><td></td><td></td><td colspan="2"></td></tr><tr><td><strong>ANO</strong></td><td><strong>PERCENTUAL</strong></td><td colspan="2"><strong>VARIAÇÃO ANUAL</strong></td></tr><tr><td>2023</td><td>17,86%</td><td colspan="2">Base do acordo</td></tr><tr><td>2024</td><td>Não aplicável</td><td colspan="2"></td></tr><tr><td>2025</td><td>18,34%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2026</td><td>18,81%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2027</td><td>19,29%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2028</td><td>19,76%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2029</td><td>20,24%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2030</td><td>20,72%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2031</td><td>21,19%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2032</td><td>21,67%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2033</td><td>22,14%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2034</td><td>22,62%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2035</td><td>23,10%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2036</td><td>23,57%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2037</td><td>24,05%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td>2038</td><td>24,52%</td><td colspan="2">0,47%</td></tr><tr><td>2039</td><td>25,00%</td><td colspan="2">0,48%</td></tr><tr><td colspan="3">FONTE: Balanço do Estado do RS, 2024, p.75/76.</td><td>&nbsp;</td></tr><tr><td></td><td></td><td></td><td></td></tr></tbody></table></figure>



<p><strong>O acréscimo de despesas no final do acordo será de R$ 3.635,20 milhões, com base da RLIT de 2024, o que corresponde a R$ 242,3 milhões anuais (3.635,20/15 = 242,3 milhões).  O acréscimo percentual de despesa será de 40% (7,14/17,82 X 100 = 40%).</strong></p>



<p><strong>Sem um bom desempenho da receita não será fácil para o Estado cumprir esse acordo, porque terá um comprometimento maior de sua RLIT, de 7,14 pontos percentuais.</strong></p>



<p><strong>Considerações sobre vinculações da receita</strong></p>



<p>As vinculações são a negação do equilíbrio orçamentário, porque obriga gastar mais o que arrecadou mais. Contrariamente, nem sempre consegue reduzir os gastos quando a receita diminui, porque muitas despesas são rígidas. O resultado final será o déficit.</p>



<p>As vinculações são o contrário da eficiência, porque invertem conceito de produtividade, ao atribuir mais a quem gastou mais.</p>



<p>O total aplicado em cada função de governo deveria ser determinado em função de outras variáveis, como tamanho da população, idade, nível de renda, &nbsp;entre outras.</p>



<p>Então, entre educação e saúde há uma enorme controvérsia. Por um lado, temos o número de alunos reduzindo, e por outro, a saúde com alto crescimento de gastos, devido ao envelhecimento da população e a introdução de novos tratamentos médicos, produto do desenvolvimento tecnológico.&nbsp; No entanto, desde 1988 (37 anos), os mesmos percentuais da receita líquida de impostos e transferências são mantidos.&nbsp; Manter as mesmas soluções, quando a realidade varia é propugnar pela não solução.</p>



<p>Outro aspecto negativo das vinculações é comprometimento excessivo da receita com despesas obrigatórias, deixando pouca margem para as demais despesas, com destaque para investimentos.</p>



<p>No entanto, enquanto não houver uma mudança na legislação sobre o assunto, nosso dever é cumprir a Constituição, que mantém em vigor as atuais vinculações.</p>



<p><strong>Porto Alegre, 2 de junho de 2025.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="451" height="281" src="https://darcyfrancisco.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image-4.png" alt="" class="wp-image-25501" style="width:571px;height:auto"/></figure></div>]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Reforma estrutural do Governo Leite:  Amarga, mas necessária</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2019 16:58:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Previdência social]]></category>
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					<description><![CDATA[Antecedentes Embora eu não seja um adepto do liberalismo, concordo com muitas de suas teses e com muitas das afirmações de seus principais ideólogos. E, para iniciar este texto começo com uma citação de Friedrich A. Hayek, retirada do livro “O Caminho da Servidão. Se, a longo prazo, somos os criadores de nosso destino, de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<ol>
<li><b><strong>Antecedentes</strong></b></li>
</ol>
<p>Embora eu não seja um adepto do liberalismo, concordo com muitas de suas teses e com muitas das afirmações de seus principais ideólogos. E, para iniciar este texto começo com uma citação de Friedrich A. Hayek, retirada do livro “O Caminho da Servidão.</p>
<p><em>Se, a longo prazo, somos os criadores de nosso destino, de imediato somos escravos das ideias que criamos. Somente reconhecendo o perigo a tempo poderemos ter esperança de evitá-lo.</em></p>
<p>Pois foi exatamente isso que ocorreu no Estado do RS<strong>.</strong> Durante várias décadas foram formados déficits em cima de déficits, gerando uma dívida que se multiplicou por mais de 27 vezes em 28 anos, em termos reais. Nossos governantes foram irresponsáveis e perdulários e os que tentaram ser diferentes foram ridicularizados, recebendo os mais variados adjetivos depreciativos.</p>
<p>Sempre a crença foi de que dinheiro público era infinito, que sempre havia onde buscar um recurso adicional, bastava ter a caneta na mão. Era como se desse em árvore ou caísse do céu.</p>
<p>Mas um dia a tinta da caneta acabou, embora ainda haja pessoas que acreditam que na última hora vai aparecer um tinteiro mágico e tudo ficará resolvido. Por isso, não reconhecemos o perigo a tempo e agora está muito difícil de evitá-lo, estamos à beira de um precipício que, dificilmente, não cairemos nele.</p>
<p>A partir de 1999, por exigência do acordo da dívida assinado com a União no ano anterior, começamos um grande ajuste fiscal, cujos resultados foram mais expressivos entre 2007 e 2010, fruto das condições favoráveis da economia que propiciaram um grande crescimento de receita, e de uma administração responsável da despesa.</p>
<p>Mas isso passou. A partir de 2011, com a queda acentuada do ritmo de crescimento da receita, acelerada que foi com a recessão de 2015-2016, quando o <strong>PIB caiu mais de 7%, com seu valor real de 2018 voltando ao mesmo patamar de 2011, sete anos depois</strong>.</p>
<p>Ao mesmo tempo, no período 2011-2014, com a intenção até certo ponto justa, a folha de pagamento sofreu aumentos muito além da capacidade financeira do Estado, com reajustes que se estenderam até o final do governo seguinte (2018) para algumas categorias, de forma que a <strong>folha de pagamentos pulou de R$ 13,4 bilhões em 2010 para R$ 29,2 bilhões em 2018,</strong> num crescimento nominal de 118%, quando a receita cresceu 81% e a inflação 61%.</p>
<p>E o pior de tudo é que foram concedidos esses reajustes contando com os recursos finitos dos <strong>depósitos judiciais</strong>. Foram criadas <strong>despesas permanentes para serem custeadas com recursos finitos,</strong> contrariando um dos princípios basilares de responsabilidade fiscal, expressos na própria lei pertinente.</p>
<p>E, diga-se passagem, entre 2015 e 2018 não houve reajustes, o que levou a grande arrocho na folha da Educação e um grande aumento na da Segurança Pública. Esta correspondia a 70% da primeira em dezembro de 2014, passando para mais de 130% em igual mês de 2018.</p>
<p>Durante todo esse período, sacaram do <strong>caixa único</strong>, com grande participação dos depósitos judiciais, mais de R$ 28 bilhões em valores atualizados. Em 1998, os déficits que ficaram evidentes com o fim da inflação foram financiados por recursos de privatização e, no período 1999-2002, pela venda de bens e direitos, além do caixa único. A partir de então os déficits foram financiados com recursos do caixa único e dos depósitos judiciais e com alguma venda de bens patrimoniais. Houve também aumento das alíquotas de ICMS, em 2005-2006  e em 2016-2020, antecipações de arrecadação de impostos  e pagamento do 13º salário por intermédio do Banrisul,  entre  outras ações.</p>
<p>O <strong>déficit previdenciário</strong> cresceu <strong>5,4% ao</strong> <strong>ano </strong>desde 2004, em termos reais. A receita corrente líquida (RCL), que, deveria ser o limite, cresceu <strong>3,6%.</strong> Isso, no longo prazo, é insustentável. <strong>É como caminhar sobre uma grama, primeiro fica uma leve marcação, depois um rastro e,  com o  passar do tempo, forma uma vala</strong>. A necessidade de financiamento da previdência, ou seja, déficit mais contribuição patronal, foi R$ 14,1 bilhões em 2018, ou 35,3% da RCL, ela que fora de 30% em 2004</p>
<p>A <strong>folha de pagamento</strong> do Estado, no critério adotado neste texto, supera 73% da RCL, mas pode chegar próximo a 80% por outros critérios. O limite da LRF é 60%, mas uma série de interpretações do Tribunal de Contas deixou esse percentual bem menor, por retirar de seu cômputo uma série de itens, entre eles as pensões por morte.</p>
<p><b><strong>2. Análise de alguns aspectos da proposta </strong></b></p>
<p>A proposta do governo estadual, visando a redução da folha de pagamento, age em duas frentes: a <strong>redução das vantagens funcionais e nas regras previdenciárias</strong>. Como o primeiro fator se reflete no segundo, está certo que o problema seja enfrentado nos dois aspectos</p>
<p><strong>2.a Redução de vantagens funcionais</strong></p>
<p>Na realidade, o Estado do RS mantém algumas vantagens que na União fazem parte do passado. Foi o caso da extinção recente da licença-prêmio que, para ser extinta, precisou ser substituída pela licença de capacitação e, ainda, vai continuar existindo durante a vigência do quinquênio em curso, que poderá se estender ainda por mais cinco anos para quem ingressar ou começar nova contagem na data da edição da lei.</p>
<p>As pessoas de um modo geral e até os servidores mais qualificados não se aperceberam de que <strong>o crescimento da receita corrente líquida (RCL) deve ser o limite do crescimento da despesa</strong>, devendo este ser ainda menor do que o primeiro, para possibilitar a redução do déficit.</p>
<p>E o crescimento da RCL no longo prazo, desde que não haja aumento de impostos ou algum fator eventual depende do crescimento da economia, que é expresso na variação do PIB.</p>
<p>E o crescimento do PIB depende do crescimento da população e da produtividade dos fatores. O crescimento da população é reduzido e tende a estagnar e até ficar negativo. E a produtividade dos fatores depende de mais capital que, por sua vez, depende de mais poupança e tecnologia. A poupança no Brasil é reduzida e o desenvolvimento tecnológico depende muito da educação, que não anda nada bem.</p>
<p>Nos últimos 20 anos, a taxa anual de crescimento do PIB nacional foi de 2,3% e o do Estado do RS ainda menor, de apenas 1,8%. O crescimento da receita, sendo um reflexo disso, deixa evidente a dificuldade que terão os governos para atender seus compromissos.</p>
<p>O aumento da <strong>carga tributária</strong> encontra o limite da capacidade contributiva das pessoas e de sua vontade em pagar mais impostos. É claro que sempre haverá como reduzir as desonerações fiscais, mas isso pode ter consequências. Os ressarcimentos da Lei Kandir, além da barreira do grande déficit fiscal na União, têm sua constitucionalidade questionável (art.91, § 2º das DT da Constituição federal). A volta da incidência do ICMS seria uma saída melhor, mas pode implicar na competitividade das exportações.</p>
<p>Poderia se dizer que influiu muito nesse baixo crescimento a <strong>recessão econômica</strong> de 2015-2016 e o período de baixo crescimento da economia que se seguiu, o que é verdade. Mas também é verdade que entre 2002 e 2011 o <strong>índice de preço das exportações</strong> apresentou inédito crescimento de <strong>173%</strong>, ele que havia caído 23% entre 1997 e 2002 (Giambiagi, Fábio e Castelar Pinheiro, Armando, em Além da Euforia, p.255). Isso foi reflexo do que ficou conhecido como “boom das commodities”, que proporcionou grande crescimento do PIB e da arrecadação tributária em geral.</p>
<p>E o grande fator de crescimento da despesa pública é o chamado <strong>crescimento vegetativo da folha</strong>, em que no Estado do RS, considerando as vantagens funcionais e os encargos atuais da previdência, supera 3% ao ano. Só a previdência vem sendo de 5%. A taxa menor do crescimento total deve-se à redução do número de servidores ativos, com enormes reflexos negativos na prestação dos serviços públicos. Na Segurança Pública, por exemplo, os cargos vagos estão em 50% dos previstos em lei.</p>
<p>Diante disso, o governo age acertadamente em propor a <strong>eliminação dos triênios adicionais e das incorporações de funções gratificadas na aposentadoria</strong>. É duro dizer isso, porque eu, como servidor aposentado, recebo todas essas vantagens, <strong>mas são rescaldos</strong> de um tempo que passou e não voltará mais.</p>
<p>Da mesma forma, o<strong> quadro do magistério</strong> precisa ser modificado, até para o bem dos próprios professores. Esse assunto é tratado adiante, no item próprio.</p>
<p><b><strong>2.b. Regras previdenciárias</strong></b></p>
<p>A reforma da previdência é indispensável, não só pela transição demográfica, com o consequente envelhecimento da população, como pela redução da razão ativo/inativo, que deveria ser 4/1 e está em apenas 0,7/1. Com isso, o desequilíbrio é enorme, conforme citado, no entanto, há ideias contrárias a ela.</p>
<p>Já ouvi manifestação da oposição dizendo que se atacassem primeiro os altos salários, seriam a favor das mudanças. Mas, isso faz parte do discurso fácil, porque a maioria dos altos salários está nos outros Poderes e protegidos pela garantia constitucional da <strong>irredutibilidade</strong>. Eles detêm 7,3% da quantidade de servidores e 18,5% do valor da folha estadual. Há também altos salários em outros órgãos do Poder Executivo, como PGE, Secretaria da Fazenda, da Segurança, mas em menor quantidade.</p>
<p>O que poderia ser feito é o <strong>aumento da contribuição, </strong>que está sendo proposto, de forma progressiva, com alíquotas de 18% para as remunerações acima de R$ 20.000,00, para todos os Poderes. Mas a incidência para os aposentados na hipótese da existência de déficit atuarial pode ocorrer a partir de um salário mínimo. Isso, sim, pesa para os menos aquinhoados.</p>
<p>Mas o grande impasse está na<strong> Educação e na Segurança</strong>, por sua importância social e pelo peso de ambas na despesa total com previdência. Nelas estão <strong>86% dos servidores aposentados</strong>, com os quais é despendido <strong>75% da folha estadual</strong>. Vejamos cada um dos casos:</p>
<p><strong>b.1) Educação</strong></p>
<p><strong>Na Educação estão 66% dos servidores do Estado, recebendo 35% da folha. Aqui já se nota uma grande desigualdade funcional. </strong>A Educação tem <strong>o mais baixo salário médio do Estado</strong>, mas tem o mais <strong>alto grau de inativação, de 70%</strong>. No plano de carreira, para cada R$ 100 pagos a quem está na ativa, são despendidos 250 entre aposentadorias e pensões. Em outros termos, para cada R$ 100 da folha, sobra somente R$ 30 para quem está na ativa.</p>
<p>O <strong>quadro de carreira do magistério</strong> também produz acréscimos que no longo prazo, em decorrência da integralidade e da paridade (paga mais de 2 para um trabalhar) <strong>multiplica por 7 o piso inicial </strong>aplicado ao nível médio, onde, por lei, deve incidir o <strong>piso nacional do magistério</strong>.</p>
<p>No tocante à aposentadoria, o projeto em causa, seguindo a reforma federal, deve aumentar a idade mínima dos professores de 55 para 60 anos e a da professora, de 50 para 57 anos. Mas, há vários anos para a transição. E isso vale para os que ingressaram após o final de 2003, porque os que ingressaram antes estão protegidos pela <strong>integralidade e paridade</strong>. Portanto, ainda há cerca de dez ou mais anos com geração de aposentadoria sob esse critério.</p>
<p>Então, precisa ser modificado o quadro de carreira e as regras de aposentadoria, mas é difícil defender isso, quando um soldado ao ingressar recebe uma remuneração maior do que um professor em final de carreira. Nada contra o soldado, mas a verdade é que o professor deveria ganhar mais.</p>
<p><strong>No entanto, se não forem alterados o quadro de pessoal e as regras de aposentadoria a situação será cada vez pior. </strong></p>
<p><strong>b.2) Segurança Pública</strong></p>
<p>A Secretaria de Segurança possui <strong>20% dos servidores estaduais, recebendo 40% do total da folha</strong>. Se mantidas as regras federais os servidores civis se aposentarão com a idade mínima de 55 anos, com 30 de contribuição e 25 no cargo. Foi um progresso em relação ao que era antes, quando não havia exigência de idade mínima, mesmo assim, ainda ficou precoce.</p>
<p>No tocante aos <strong>policiais militares</strong>, cuja folha é <strong>70% da folha da Segurança,</strong> tudo indica que manterão a <strong>integralidade e paridade com os ativos. </strong>Isso representa um encargo difícil de suportar, diante do valor dessa folha, que corresponde a <strong>28% da folha da Administração Direta do Estado,</strong> porque, conforme citado acima, serão pagos de forma permanente <strong>dois ou mais para um trabalhar.</strong></p>
<p>O resultado disso será a dificuldade cada vez maior de equilibrar as contas estaduais e o preenchimento insuficiente dos cargos, cuja metade já está vaga, com graves prejuízos à segurança.</p>
<p><b><strong>3. Conclusão</strong></b></p>
<p>O Estado do RS não tem outra saída que não seja a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), só que dificilmente no final de três anos (sem pagar a dívida com a União) e de mais três (pagando a metade), terá condições de assumir a integralidade das prestações que estão suspensas por liminar. Mais do que isso, o Estado terá muita dificuldade para aderir ao citado Regime, pela dificuldade de provar que terá viabilidade financeira ao findar os prazos citados.</p>
<p>Se tivermos que pagar a dívida, segundo o orçamento para 2020, <strong>o déficit será de R$ 5,3 bilhões</strong>. A partir de 2021, as alíquotas do ICMS voltam aos patamares de antes da majoração feita a partir de 2016, <strong>reduzindo a arrecadação líquida em 2,5 bilhõe</strong>s. Isso mostra que o déficit potencial do Estado está próximo <strong>a R$ 8 bilhões,</strong> sem contar as dívidas de curtíssimo prazo, de mais de duas folhas de pagamento do Executivo, se incluirmos o 13° salário, a dívida com municípios relativa à saúde, e os precatórios, cujo pagamento foi reduzido também por medida liminar.</p>
<p>As medidas propostas, segundo cálculos do próprio governo estadual, se todas forem aprovadas, poderão reduzir a despesa em torno de R$ 2,5 bilhões anuais, na média. O restante terá que vir do aumento da arrecadação que só pode advir do crescimento econômico, que num primeiro momento pode ser ajudado pela capacidade ociosa da economia, que está estagnada.</p>
<p>Mas, dificilmente o Estado fará superávit primário para pagar a dívida, nem que o Governo Federal resolva zerar os juros, cobrando apenas o principal. Abusamos demais nos déficits sistemáticos, criamos despesas permanentes muito além do possível crescimento da receita e a situação ficou insustentável.</p>
<p>Somente um grande ajuste na despesa, acompanhado de enorme crescimento econômico podem nos tirar da crise, ou então teremos que esperar pela pior das soluções que, para o bem da maioria, não deverá ocorrer: a volta da inflação.de dois dígitos.</p>
<p style="text-align: center;">Porto Alegre, 18 de novembro de 2019.</p>
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		<title>Medida oportuna</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 Nov 2019 12:19:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[&#160; O Brasil passa por uma transição demográfica, com acentuado envelhecimento da população, seja pela base, em decorrência da grande queda da taxa de fecundidade, seja pelo topo, devido ao aumento da longevidade. Segundo o IBGE (2013), a população de zero a 19 anos decrescerá de 61 milhões em 2020 para menos de 39 milhões [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>O Brasil passa por uma transição demográfica, com acentuado envelhecimento da população, seja pela base, em decorrência da grande queda da taxa de fecundidade, seja pelo topo, devido ao aumento da longevidade.</p>
<p>Segundo o IBGE (2013), a população de zero a 19 anos decrescerá de 61 milhões em 2020 para menos de 39 milhões em 2060, passando de 29% para 18% da população total. No mesmo período, a população com 60 ou mais anos passará por processo inverso, indo de 29 milhões para 73,5 milhões, num aumento de 44 milhões de pessoas, passando de 14% para 34% da população. O total de pessoas com 80 anos ou mais aumentará quase quatro vezes, indo de 4 para 15 milhões.</p>
<p>Uma realidade com tamanha transformação não pode ser tratada com regras fixas. Daí a importância da proposta de administrar conjuntamente os limites de recursos destinados à educação e à saúde. Mas, para isso, deve ser criado um regulador para evitar que as demandas da saúde, mais urgentes, deixem a educação sem recursos.</p>
<p>Isso, no entanto, não poderá ser feito na maioria dos municípios, devido aos encargos previdenciários. O mesmo ocorre com o Estado do RS, que os inclui no cômputo da despesa de manutenção e desenvolvimento do ensino, alcançando em 2018 o índice de 27,3% do parâmetro constitucional, mas seria multo menor que o índice oficial de 25%, se os citados encargos não fossem incluídos.</p>
<p>E aqui reside um grande impasse, uma escolha de Sofia. Ou se considera a despesa previdenciária no cômputo do índice citado, com graves prejuízo à educação, ou se deixa fora dele e inviabiliza o orçamento total.</p>
<p>Na educação estadual, a despesa com inativos alcança 62% da folha e se considerarmos somente o plano de carreira, esse percentual passa de 70%, ou seja, para cada R$ 100 pagos a quem está em atividade são pagos R$ 250 entre aposentadorias e pensões.</p>
<p>As mudanças aprovadas pela última reforma previdenciária, se estendidas a estados e municípios, contribuirão para a solução desse problema, mas tal solução será parcial e levará tempo.</p>
<p>A existência da restrição orçamentária do governo, devido à limitação da capacidade contributiva da população, fato geralmente negligenciado , não pode ser ignorado e, por isso, precisamos nos adaptar às situações cambiantes.</p>
<p>A medida proposta é importante e oportuna, mas precisam ser observados os aspectos citados.</p>
<p>Para ler na Zero Hora, clique <a href="https://flipzh.clicrbs.com.br/jornal-digital/pub/gruporbs/?numero=2020856#page/37">aqui.</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cortes na educação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 May 2019 20:50:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Dívida pública]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[O fato de a mídia ser contra o governo e, em muitos casos, com razão, não lhe dá o direito de informar mal as pessoas, cuja maioria não entende de finanças públicas. O aludido corte de 30% dos recursos da educação é sobre a parcela não obrigatória da despesa que, na União como um todo, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O fato de a mídia ser contra o governo e, em muitos casos, com razão, não lhe dá o direito de informar mal as pessoas, cuja maioria não entende de finanças públicas. O aludido corte de 30% dos recursos da educação é sobre a parcela não obrigatória da despesa que, na União como um todo, é menos de 10%, o que seria, então, em torno de 3%. Não disponho dos dados das Universidades, mas não deve estar muito longe disso.</p>
<p>O ideal seria não cortar nenhum centavo da Educação, dada sua importância em todos os aspectos. Mas,&nbsp; para quem não sabe, o déficit primário do Governo Central&nbsp; em 2018 foi de R$ 112 bilhões ou 1,6% do PIB, indo para 6.20% quando se somam&nbsp; os juros, que são consequências dos déficits primários. Os déficits primários foram de R$ 160 bilhões em 2016 (2,6% do PIB), apresentando leve de continuado decréscimo a partir de então (tabela 2.1. 2.1.a &nbsp;e gráfico 2.1)</p>
<p>Da receita líquida do governo federal, 83% é gasto (pago) em seguridade social e, se acrescermos 4,2% da educação, 87% é despendido com previdência, saúde, assistência social e educação.&nbsp; Com os 13% restantes têm que ser atendidos 26 ministérios e 14 órgãos federais, os de maiores gastos, ligados aos outros Poderes. Por isso, o déficit primário de R$ 112 bilhões, citado.</p>
<p>A dívida publica brasileira passou de 61,7% do PIB em 2010 para 83,1% em 2018. Se não cortarmos despesa e/ou aumentarmos a receita, ela ultrapassará 100% do PIB, o que é excessivo para um país emergente. O resultado disso será a hiperinflação, a recessão e seu companheiro inseparável,&nbsp; o desemprego, a maior chaga social (gráfico 1.1).</p>
<p>Então, cortar onde? Na saúde, na assistência social, na infraestrutura, com todas as carências que tem? &nbsp;Por isso que se impõe a reforma na previdência e a reforma tributária, corrigindo essas distorções e esperando que elas façam a economia crescer, cujo PIB de 2018 é o mesmo de 2011, quando a população aumentou mais de 8% e o&nbsp; número de aposentados em mais de 30%.</p>
<p>Além de tudo, a Lei de Responsabilidade Fiscal, em seu artigo 9 e parágrafos (destacamos o 1°), regula essa matéria determinando a &#8220;limitação de empenho&#8221;, conforme abaixo:</p>
<p style="text-align: left;">A<em>rt. 9<u><sup>o</sup></u><strong>&nbsp;&nbsp;</strong>Se verificado, ao final de um bimestre, que a realização da receita poderá não comportar o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministério Público promoverão, por ato próprio e nos montantes necessários, nos trinta dias subseqüentes, limitação de empenho e movimentação financeira, segundo os critérios fixados pela lei de diretrizes orçamentárias.</em></p>
<p style="text-align: left;"><em>1<u><sup>o&nbsp;&nbsp;</sup></u>No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a recomposição das dotações cujos empenhos foram limitados dar-se-á de forma proporcional às reduções efetivadas.</em></p>
<p style="text-align: left;">Para ler o texto completo, com tabela e gráficos, clique abaixo:</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://financasrs.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Cortes-da-educação.pdf">Cortes da educação</a></p>
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		<title>Magistério: O problema está no sistema</title>
		<link>https://darcyfrancisco.com.br/2016/06/16/magisterio-o-problema-esta-no-sistema/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jun 2016 14:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Há muitas décadas, o magistério estadual reivindica melhoria em seus salários, sem, contudo, conseguir obtê-la. Em 1987, fez uma greve para que o básico para 20 horas fosse de 2,5 salários mínimos, básico esse (sem os multiplicadores)&#160; que está atualmente em menos de um salário mínimo, embora esse último seja hoje muito maior. &#160; Deve [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: 12pt;">Há muitas décadas, o magistério estadual reivindica melhoria em seus salários, sem, contudo, conseguir obtê-la. Em 1987, fez uma greve para que o básico para 20 horas fosse de 2,5 salários mínimos, básico esse (sem os multiplicadores)&nbsp; que está atualmente em menos de um salário mínimo, embora esse último seja hoje muito maior. </span></div>
<div><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Deve ser destacado que tanto o Governo do Estado como a &nbsp;Secretaria de Educação foram ocupados por integrantes de todas as ideologias políticas, de direita, de esquerda, de centro-esquerda, de centro-direita, inclusive um partido que tem como bandeira principal a educação.</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Será que todos esses governadores e secretários não tinham conhecimento da importância da educação para desenvolvimento econômico e para a promoção social do cidadão, especialmente os menos favorecidos? </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Será que esses agentes públicos tinham interesses inconfessáveis de prejudicar a educação? Conheço vários deles e tenho convicção de que&nbsp; pensam exatamente o contrário. Fariam de tudo para pagar melhor o professor e oferecer uma educação de qualidade. </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Então, se o problema não está nas pessoas que dirigem a educação, nem na ideologia que professam, ele está no sistema. É uma questão de lógica elementar. </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Ocorre que toda vez que um governo resolve mudar alguma coisa no sistema, ele é alvo de críticas, de que é neoliberal, que quer privatizar a educação, como se o sistema público que tanto criticam fosse um exemplo.. </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Mas as causas básicas do problema continuam intactas: ideologização excessiva, plano de carreira arcaico e aposentadorias precoces.</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;Não se sustenta um sistema em que quase 90% dos servidores pode se aposentar com 50 anos de idade, após 25 anos de contribuição, e &nbsp;receber uma aposentadoria de 100% da remuneração durante 35 ou mais anos. Isso faz com que grande parte dos recursos que seria destinado ao pagamento dos professores em atividade seja despendida com inativos. </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">O problema não está nas pessoas, mas no sistema, mas aqueles que mais o criticam são os primeiros a defendê-lo, sempre quando um governo se propõe a modificá-lo. </span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">&nbsp;</span></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt;">Par ler na Zero Hora de hoje, 16/06/2016, clique <a href="http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/noticia/2016/06/darcy-francisco-carvalho-dos-santos-magisterio-o-problema-esta-no-sistema-6004180.html">aqui.</a></span></div>
<div style="text-align: right;" align="right"></div>
<div style="text-indent: 21.3pt;"></div>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Governo estadual de saia justa (v.2)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Dec 2015 16:44:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Banrisul]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[O orçamento  do Estado do Rio Grande do Sul para 2016, recentemente aprovado pela Assembleia Legislativa,  traz um déficit de R$ 4,6 bilhões. Há uma corrente de opinião que afirma que o orçamento foi elaborado de forma pessimista. Isso decorre da comparação feita  com o orçamento de 2015. Nessa comparação, a receita total está orçada com [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div></div>
<div style="line-height: 150%; text-align: center; text-indent: 21.3pt;" align="center">
<div style="line-height: 18.0pt; text-align: left;" align="left">
<div style="line-height: 18pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">O orçamento  do Estado do Rio Grande do Sul para 2016, recentemente aprovado pela Assembleia Legislativa,  traz um déficit de R$ 4,6 bilhões.</span></div>
<div style="line-height: 18pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Há uma corrente de opinião que afirma que o orçamento foi elaborado de forma pessimista. Isso decorre da comparação feita  com o orçamento de 2015. Nessa comparação, a receita total está orçada com um crescimento nominal de 9,2% ou 3% reais, mesmo contando com o aumento das alíquotas do ICMS. Nessa mesma comparação, o ICMS está previsto com um crescimento de 8,5% nominais ou 2,4% reais.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Deve ser destacado, no entanto, que o orçamento de 2015 foi inflado por receitas superestimadas e despesas subestimadas, não servindo de base de comparação, que deve ser feita com os valores reestimados.   </span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Então, quando a comparação é feita com a receita reestimada para  2015,  a receita corrente para 2016 está orçada com um incremento  nominal de 16%, sendo 18% para  o ICMS,  Esses percentuais são bastante significativos, diante da crise por que passamos.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Mesmo que tenha sido fixado um crescimento máximo de 3%, a despesa com pessoal dever crescer nominalmente 9,1% e, se agregarmos a reserva de contingência que acaba tendo essa destinação, </span><span style="font-size: 12pt;">o crescimento passa para 12,6%.</span><span style="font-size: 12pt;"> Isso decorre dos reajustes concedidos no governo anterior, do crescimento vegetativo da folha e do aumento da despesa previdenciária. Para a folha da segurança está previsto um crescimento nominal de 18%, tudo concedido no governo passado.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Além disso, há uma tendência para que a despesa com pessoal cresça mais que o previsto. Isto porque os Outros Poderes estão propondo mais 8% de reajuste, quando a maioria deles o aumento previsto no orçamento é muito inferior a esse percentual (Assembleia, 2,8%; TCE, 3% e Ministério Público, 2,9%).</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">E para complicar mais a situação, o pessoal da Secretaria de Educação está com uma previsão de apenas 3,4% a mais, quando o IPCA deve variar mais de 10%.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">No final do corrente exercício deverão ficar  pendentes de pagamento  para 2016 R$ 2 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do 13° salário, que deve ser financiado pelo Banrisul.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Em 2016, o déficit orçamentário será em torno </span><span style="font-size: 12pt;">de R$ 4,6 bil</span><span style="font-size: 12pt;">hões, desconsiderando as ressalvas  feitas nas linhas anteriores, numa média de<b> R$ 400 milhões por mês.</b></span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Como o pagamento do 13° salário se verifica no final do ano, esse valor pode ser reduzido  para R$ 300 milhões no decorrer ano, que acrescido da despesa que restou de 2015, passa para </span><span style="font-size: 12pt;">R$ 400 milhões mês</span><span style="font-size: 12pt;">, mais ou menos, </span><span style="font-size: 12pt;">sem inclu</span><span style="font-size: 12pt;">ir o 13° de 2015..</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;"><b>13° salário</b></span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">O governo não poderá pagar o 13° salário com recursos próprios neste exercício. Para isso, deverá financiá-lo através do Banrisul, em seis parcelas,  entre maio e novembro, pagando diretamente aos servidores ou o financiamento. </span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;"><b>Então, faltarão R$ 400 milhões por mês para o Estado em seis meses do ano e nos outros seis meses faltarão R$ 600 milhões, também  por mês.</b></span><span style="font-size: 12pt;"> </span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Para 2016,  no entanto, se a economia não voltar a crescer, <b>o 13º salário não poderá mais ser pago</b>, devido à grande queda da arrecadação, somada à crise existente. (Em novembro/2015 sobre igual mês do ano anterior, o ICMS caiu 8% em termos reais).</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Faço essa afirmação com grande sentimento, até porque também sou servidor público. E entendo que <b>o </b></span><span style="font-size: 12pt;"><b>governo deveria fazer essa comunicação</b></span><span style="font-size: 12pt;"><b> desde j</b>á, até para evitar fossem feitos empréstimos bancários por servidores, contando pagar com o recebimento dessa remuneração.</span></div>
<div style="background: white; line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="color: #333333; font-size: 12pt;">Por tudo isso é que o governo está numa saia justa. Se não pagasse o 13° salário deste ano criaria  um enorme problema social. Ao financiá-lo pelo Banrisul criou outro problema:  terá muita dificuldade de saldar esse débito em 2016.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;"><b>Conclusão</b></span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">A situação financeira do Estado é gravíssima, porque a crise por que estamos passando é um agregado de três grandes causas, que são: a crise histórica de quatro  décadas, a criação de despesas continuadas pelo governo anterior, muitas delas até 2018, sem que o Estado dispusesse de recursos permanentes para seu custeio, e a atual crise econômica, que está derrubando a arrecadação. Os recursos extras, como os depósitos judiciais, foram praticamente esgotados no governo anterior, só restando o diferencial do que entra e sai em cada ano. </span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Mas, por outro lado, há um encargo financeiro incidente sobre  R$ 10 bilhões (depósitos judiciais: saldo e retiradas), em que, no mínimo, será equivalente ao rendimento da poupança a ser pago aos depositantes. Esse gasto, no entanto, já está englobado no déficit citado.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"><span style="font-size: 12pt;">Além disso, o grau  de endividamento está em 216,6% da receita corrente líquida e o limite legal será de 200% em 2016, o que impede novos financiamentos. Uma revisão da dívida que reduza o serviço da dívida seria uma grande saída, mas encontra barreira na difícil situação financeira porque também passa a União, porque teria que estender aos demais Estados o que fosse concedido ao RS.</span></div>
<div style="line-height: 18pt; text-indent: 21.3pt;" align="left"></div>
<div style="line-height: 18.0pt; text-align: center; text-indent: 21.3pt;" align="center"><span style="font-size: 12pt;">Porto Alegre, 3 de dezembro de 2015.</span></div>
<div align="left"></div>
<div></div>
</div>
</div>
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		<title>Orçamento deficitário</title>
		<link>https://darcyfrancisco.com.br/2012/10/09/orcamento-deficitario/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Oct 2012 18:19:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Leitura rápida]]></category>
		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[Na proposta orçamentária para 2013 a receita total  foi estimada em R$ 43,7 bilhões, que, deduzida das transferências internas, atinge R$ 37,9 bilhões, em torno de 12% do PIB estadual. Nesse montante, R$ 36,3 bilhões, ou 96%, são receitas correntes, principalmente,  tributárias. O restante de R$ 1,6 bilhão (4%) são receitas de capital, das quais [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Na proposta orçamentária para 2013 a receita total <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>foi estimada em R$ 43,7 bilhões, que, deduzida das transferências internas, atinge R$ 37,9 bilhões, em torno de 12% do PIB estadual. Nesse montante, R$ 36,3 bilhões, ou 96%, são receitas correntes, principalmente, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>tributárias. O restante de R$ 1,6 bilhão (4%) são receitas de capital, das quais R$ 1 bilhão são operações de crédito e 500 milhões, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>transferências federais. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Com a despesa total de igual valor, o orçamento está contabilmente equilibrado, tendo como principal item a despesa de pessoal, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>com cerca de R$ 18 bilhões, atingindo cerca de 64% da receita corrente líquida. Os <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>investimentos previstos são de R$ 2,4 bilhões, dos quais somente <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>R$ 900 milhões (3% da receita líquida), serão financiados com recursos próprios. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">A receita corrente foi estimada com base em parâmetros otimistas, como PIB de 5,5%. Na receita de capital, a parte relativa a transferências deve ser realizada apenas parcialmente. Além disso, a despesa com pessoal está subestimada. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">As constituições federal e estadual determinam que percentuais da receita corrente sejam vinculados a certas finalidades, com destaque para educação e saúde. Esses percentuais, somados ao estabelecido pelo acordo da dívida, atingem 65% da receita corrente. Com isso, “restam” 35% para atender as demais despesas, que alcançam 45%. No final, faltam 10%, cuja receita necessária para atingi-lo é o triplo, devido às mesmas vinculações.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Para a educação, a proposta em causa destinou 29% da receita de impostos e transferências, quando a constituição estadual estabelece 35%. Mesmo que tenha avançado um pouco em relação ao governo anterior, ficou faltando R$ 1,35 bilhão para atingir o percentual constitucional. O grande problema é o alto gasto com previdência, fazendo com que apenas pouco mais da metade dos recursos alocados seja destinado à educação, propriamente. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">No tocante à saúde, o percentual de 12% nunca foi cumprido. Embora constando na proposta esse percentual, isso só foi possível incluindo as despesas com inativos e as transferências ao IPE para a assistência médica dos servidores estaduais, na ordem de R$ 632 milhões, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>excluídas pela lei federal 141/2012, <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>que regulamentou a matéria. Além disso, foram incluídas receitas fictícias no valor de R$ 1,201 bilhão. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Somando-se tudo isso, o déficit potencial do Estado será de R$ 3,2 bilhões, sem considerar as possíveis frustações da receita e a subestimação da despesa com pessoal.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">O Estado não irá quebrar com esse déficit, mas continuará não atendendo satisfatoriamente a educação e a saúde, investindo muito pouco e endividando-se cada vez mais. Aliás, o aumento do endividamento é o que mais preocupa no atual governo, a serem verdadeiras as publicidades.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Dois grandes problemas precisam ser solucionados, o previdenciário e o da dívida pública. A despesa com previdência, descontada da contribuição dos servidores, atingiu R$ 6,7 bilhões em 2011. Sua solução só pode ocorrer no longo prazo, devendo <span style="mso-spacerun: yes;"> </span>envolver principalmente o alongamento da idade mínima para aposentadoria. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Quanto à dívida pública, o acordo feito em 1998 tornou-se altamente desfavorável em decorrência da mudança do cenário econômico. A resposta da União aos estados que pleiteavam uma nova negociação foi aumentar a margem de endividamento, ou seja, agravar ainda mais a situação.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Outro problema sério é o pacto federativo, em que a União fica com 57% dos tributos e os Estados com menos de 25%, depois de possuírem 34% em 1960 e 27% em 1988. </span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Além disso, no Fundo de Participação dos Estados, as regiões Sul e Sudeste, com 56% da população e 79% da arrecadação dos impostos que lhe dão origem, ficam com apenas 15<b style="mso-bidi-font-weight: normal;">%. </b>As propostas de alteração que tramitam no Congresso ainda reduzem mais as fatias dessas regiões.</span></div>
<div style="line-height: 150%; margin: 1em 0px; text-align: justify; text-indent: 21.3pt;"><span style="font-size: 12pt; line-height: 150%;">Diante do exposto, tudo indica que no próximo exercício o governo estadual continuará tendo dificuldade para o atendimento de suas funções básicas e com endividamento crescente. </span></div>
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		<title>Piso do magistério: um impasse sem precedentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Sep 2012 13:59:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O governo do Estado tem afirmado que não paga o piso nacional ao magistério, devido aos reajustes pelo Fundeb. De fato, não há como pagar um reajuste muito maior do que o crescimento nominal da receita, da qual atinge o dobro ou quase isso em alguns anos. Mas não é só o critério de reajuste [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O governo do Estado tem afirmado que não paga o piso nacional ao magistério, devido aos reajustes pelo Fundeb. De fato, não há como pagar um reajuste muito maior do que o crescimento nominal da receita, da qual atinge o dobro ou quase isso em alguns anos.</p>
<p>Mas não é só o critério de reajuste que impede o pagamento do piso, pois mesmo reajustado pelo INPC, ele não seria cumprido até o final do atual governo, cuja proposta prevê os maiores reajustes no seu último ano, com grande reflexo no primeiro ano do período governamental seguinte, onde ele incidiria em cheio. Senão, vejamos:</p>
<p>O piso nacional do magistério com os reajustes já recebidos com base no Fundeb está em R$ 1.451,00 desde janeiro de 2012. Se tivesse sido reajustado pelo INPC desde o início, atingiria o valor de R$ 1.260,00 em janeiro de 2014.</p>
<p>A proposta do governo é de pagar R$ 1.260,00 em novembro de 2014 e não em janeiro, mês em que pretende pagar R$ 1.040,54 (82,6%). Aliás, os maiores reajustes seriam concedidos durante o ano de 2014 e, principalmente, no seu final, em novembro. Isso faz com que esses reajustes parcelados se reflitam no ano seguinte, provocando um aumento da folha de 12,3% (Tabela, no final).</p>
<p>Como em janeiro de 2015 já estará sendo devido o INPC do ano anterior, o governo que assumir nessa data, suportará um acréscimo da folha na ordem de 18,4%, numa inflação (INPC) estimada de 5,5% (Ver tabela).</p>
<p>Isso prova que o atual governo não pagará o piso, nem durante todo o período governamental, nem pelo INPC, pois o valor médio do último ano seria de 89,1% do valor do piso reajustado por esse indexador (Tabela).</p>
<p>Como o reajuste pelo Fundeb é totalmente impraticável, mas como não dá para deixar de concedê-lo, porque foi aprovado por lei que não retrocede para tirar direitos, a única saída que há é alterar a carreira e pleitear a mudança do indexador para o futuro.</p>
<p>Mesmo alterando o indexador de agora em diante, deixando a carreira como está, se todos os professores ingressarem na justiça, terá sido formado um passivo trabalhista de R$ 9 bilhões em 2014, que acabará por dobrar a atual dívida de precatórios do Estado.</p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/-_abJamM-3kU/UFh-yGs3z1I/AAAAAAAAAYM/6b0McWLisQk/s1600/Magist%25C3%25A9rio_2014.png"><img decoding="async" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5789516720242151250" style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 200px; height: 196px; float: left;" src="http://2.bp.blogspot.com/-_abJamM-3kU/UFh-yGs3z1I/AAAAAAAAAYM/6b0McWLisQk/s200/Magist%25C3%25A9rio_2014.png" alt="" border="0" /></a></p>
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		<title>Mais uma lei só para o papel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Jul 2012 19:11:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Finanças públicas]]></category>
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					<description><![CDATA[O legislador brasileiro pensa que, ao aumentar a destinação de recursos orçamentários, automaticamente estará aumentando a capacidade de investimentos do governo, como se dinheiro pudesse ser criado por mera disposição legal. A lei é somente uma precondição para que se possam realizar as coisas na administração pública, mas é só isso. Com base nessa crença [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O legislador brasileiro pensa que, ao aumentar a destinação de recursos orçamentários, automaticamente estará aumentando a capacidade de investimentos do governo, como se dinheiro pudesse ser criado por mera disposição legal. A lei é somente uma precondição para que se possam realizar as coisas na administração pública, mas é só isso.</p>
<p>Com base nessa crença criam-se leis vinculadas à receita, cujos percentuais somados às despesas obrigatórias excedem, em muitas vezes, a 100% da receita líquida, como acontece no RS e na própria União, que precisa desvincular os recursos da seguridade social para que isso não aconteça.</p>
<p>É o caso agora do Plano Nacional de Educação – II PNE (2011-2020) recentemente aprovado pela Câmara Federal, elevando a aplicação de recursos em educação dos atuais 5% para 10% do PIB, três pontos acima da intenção do governo, que era de 7%.<br />
Não se discute o mérito dessa medida, porque não se questiona a necessidade de ampliar os recursos para a educação, que é a base do desenvolvimento. O que se questiona é a eficácia dessa lei, que poderá ser mais uma enganação, porque a maioria dos estados e municípios não consegue pagar nem o piso do magistério.</p>
<p>Em primeiro lugar, a lei não tem caráter impositivo, é apenas um plano de intenções e metas, sem definir qual a participação de cada ente da federação. A meta 20 do PNE, que trata dos recursos, faz referência ao pré-sal, que é um recurso que está ainda no fundo mar, há 7 mil metros de profundidade.</p>
<p>O mais agrave ainda é que não se trata só de aumentar o valor dos recursos para a educação, mas o percentual do PIB, cujos tributos lhe consomem hoje 35%. Então, para aumentar 5 pontos na educação, tem-se que tirar esse valor de outro lugar ou aumentar a carga tributária, que já é alta demais.</p>
<p>O Brasil é um país que gasta excessivamente com previdência, em torno de 11% a 12% de seu PIB, o mesmo que gastam países como Reino Unido, Holanda e Espanha, que têm o triplo da população em idade acima de 60 anos. Só em pensão por morte gasta em torno de 3%, quando dos países da OCDE despendem 0,8%. Mas a maioria não concorda em mudar isso.</p>
<p>Mantidos constantes os outros gastos, necessitaria aumentar o PIB em 20% em termos reais, o que seria justo, mas talvez improvável.</p>
<p>Por tudo isso, é bem provável que seja mais uma lei só para ficar no papel.</p>
<p>Publicado na Zero Hora de 05/07/2012.</p>
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		<title>O Estado do RS: o que menos despende em educação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Darcy Francisco]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Jun 2012 13:02:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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					<description><![CDATA[A importância da educação para o desenvolvimento dos povos é ou deveria ser reconhecida por todos, porque tudo o que existe no mundo que propicia o bem-estar humano é fruto do trabalho, que será tão mais produtivo quanto maior for o conhecimento a ele aplicado. O próprio capital é trabalho acumulado, que teve origem no [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A importância da educação para o desenvolvimento dos povos é ou deveria ser reconhecida por todos, porque tudo o que existe no mundo que propicia o bem-estar humano é fruto do trabalho, que será tão mais produtivo quanto maior for o conhecimento a ele aplicado. O próprio capital é trabalho acumulado, que teve origem no conhecimento milenar da humanidade.</p>
<p>Por tudo isso fica difícil aceitar a ideia de que a insuficiência de recursos para a educação decorra de uma ação deliberada dos governos, como se ouve dizer frequentemente. Corrobora com isso o fato de já terem passado pelo governo do Estado todas as principais correntes políticas aqui existentes. É difícil acreditar que todas fossem contra a educação.</p>
<p>A realidade, no entanto, mostra um número que leva à primeira vista a pensar que exista essa ação deliberada. Esse número foi o divulgado pela imprensa recentemente, informando que o RS é a unidade da federação que menos recursos aplica em educação, com apenas 19,7% da receita líquida de impostos e transferências, quando a média nacional é de 27,3%.</p>
<p>Quando se examina as causas dessa menor aplicação, encontra-se uma explicação – os gastos com previdência. Alguém poderá dizer que isso explica, mas não justifica o fato, o que não deixa de ser um argumento forte.</p>
<p>A verdade nua e crua, no entanto, é que o Estado do RS despende muito com previdência. Diga-se, de passagem, que embora os servidores públicos sejam os beneficiados, eles não possuem a mínima culpa por isso, pois não fizeram as leis e nem impediram que no passado tivesse sido criado um fundo de previdência. Em havendo lei, seu cumprimento é um direito do servidor e uma obrigação do Estado. Se houve alguma resistência a possíveis mudanças (e houve), não há nada de anormal nisso. Afinal, é da natureza humana opor-se a mudanças.</p>
<p>Dito isso, passamos aos fatos.<br />
No quadriênio 1975-78, em relação à despesa total (excluindo-se os gastos com a dívida), o Estado do RS aplicava 13% em previdência e 27% em educação. Passados pouco mais de 30 anos, os gastos com previdência foram para mais de 27% e os com educação desceram para 12%. Houve uma inversão no destino de recursos, aquilo que os economistas denominam de trade-off.</p>
<p>Trata de um aumento de gasto com previdência provocado por todos os setores do Estado, chegando ao ponto de cada R$ 100 despendido com pessoal, mais de R$ 53 ser com inativos e pensionistas, numa relação de quase R$ 115 com inativos para cada RS 100 com ativos. Hoje o Estado paga, em média, mais de dois servidores para um trabalhar.</p>
<p>O Estado do RS despendeu em 2010 29,4% de sua receita corrente líquida com inativos e pensionistas, enquanto a média do País foi de 12,3% e dos principais estados além dele (SP, RJ, MG e PR) foi de 17,6%. Esses 12% superior à média equivalem no RS a R$ 2,1 bilhões, valor mais do que suficiente para pagar o piso do magistério.</p>
<p>Quando se toma a educação, a situação é muito mais grave, porque é onde mais cresce a despesa com aposentados, que passou de 32,5% da despesa total do Estado com essa rubrica em dezembro de 1999 para quase 40% em fevereiro de 2012. Se tomarmos somente o plano de carreira do magistério, para cada R$ 100 gasto com ativos é despendido R$ 150 com inativos.</p>
<p>Enquanto não se modificar a legislação previdenciária no sentido de elevar o tempo de contribuição e a idade mínima para aposentadoria, dificilmente o Estado poderá pagar uma remuneração justa para os educadores.</p>
<p>A aposentadoria precoce é um benefício ilusório, assim como era o ingresso sem concurso público do passado. Mesmo que o Estado venha a aplicar uma parcela bem maior da receita no ensino, a parcela que caberá a cada um será tanto maior, quanto menor for o número de beneficiários.</p>
<p>Os servidores que ingressaram a partir de janeiro de 2004 e os já existentes que não tenham vinte anos de serviço público no momento da aposentadoria, entre outras condições, já estão sujeitos às novas regras, como aposentadoria pela média. Mas ainda permanecem em vigor regras que permitem aposentadorias com pouco mais de 50 anos em certas situações.</p>
<p>Em muitos países do primeiro mundo as pessoas de ambos os sexos estão se aposentando aos 65 e até 67 anos, o que não deixa de ser um exagero. Não precisamos chegar a tanto, mas também não devemos ficar onde estamos.</p>
<p>Não é por acaso que entre brigadianos e professores estão os menores salários, pois no primeiro caso não existe idade mínima para aposentadoria e no segundo ela é de 50 anos para a maioria. É claro que certas corporações utilizam-se de meios mais eficientes que as categorias citadas, que lhes permitem aumentar sua participação na folha do Estado. Não seria ingênuo ao ponto de não ver isso.</p>
<p>Além de tudo isso, temos o problema demográfico que apontava nove pessoas com idade entre 16 e 59 anos para cada uma com mais de 60 anos, em 1980, número que baixou para 6,4 em 2010, devendo alcançar 1,9 em 2050, portanto daqui a 38 anos. Isso parece muito, mas não é, pois da Copa de 70 de que muitos recordam, já passaram 42 anos! O Brasil ainda passa pelo bônus demográfico, quando mais cresce a população em idade ativa, mas isso em pouco mais de uma década começa a se inverter.</p>
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