O Jornal do Comércio lançou a 8ª edição para 2025 do Anuário em causa. Tantas são as informações que, para citar todas, meu texto ficaria exaustivo. É um estudo sem similar no Estado, ao menos, pelos órgãos de difusão e comunicação.
Ele traz todos os investimentos, anunciados ou realizados para 2025, por empresas, com os respectivos índices de localização dos municípios. Mostra os valores de cada município e de cada empresa.
Ressalta as macrorregiões onde serão realizados esses 401 investimentos, que devem atingir 141 municípios, destacando a participação percentual de cada uma delas. Cita, ainda, R$ 4 bilhões com recursos do FUNRIGS em 2026, por Função de Governo; uma pena que muitos desses investimentos serão para repor os que foram destruídos pelas enchentes, mas era indispensável essa reposição.
Trata-se de um trabalho de fôlego, muitíssimo bem elaborado, demonstrando conhecimento de quem os dirigiu, como qualidade técnica dos executores.
No entanto, esse enorme montante diversificado de investimentos, totalizando R$ 91,4 bilhões, estimando-se um PIB-RS de R$ 750 bilhões, corresponde a pouco mais de 12% desse indicador. A nossa necessidade é muito maior, talvez o dobro, para colocar o Estado num ritmo satisfatório de crescimento.
Mas o que vamos fazer? Temos que pagar R$ 10 bilhões anuais de encargos previdenciários dos servidores, a despeito da grande redução dos últimos anos, e uma dívida, cujo saldo devedor atinge 185% da receita corrente líquida, enquanto nossa vizinha, Santa Catarina, deve 28% e Paraná tem 5% credor, por possuir disponibilidades financeiras maiores do que o citado saldo devedor. Os compromissos prevdenciários dos estados vizinhos são bem menores que os do nosso Estado também.
Além do mais, teremos que completar os percentuais aplicados em educação e saúde, porque eles não estavam sendo cumpridos como manda a legislação. E o pior de tudo, voltar a pagar a dívida que, embora a prestação tenha sido reduzida pelo último acordo assinado, ainda supera nossa formação de superávit primário.
Se tivermos sorte com ausência de secas e de enchentes, poderemos sair desta situação, mas sem o montante de investimentos tão necessário para complementar a parte muito bem demonstrada no Anuário em causa.
Mais uma vez, parabéns pelo extraordinário trabalho!
Publicado no JC em 30/01/2026.
