Os resultados orçamentários federais foram limitados pelo arcabouço fiscal, que estabeleceu uma faixa para todos os anos após sua vigência. Para 2026 deveria ocorrer um superávit mínimo de 0,75% do PIB só que as metas anuais foram alteradas no decorrer do período.
Para 2026 ela foi reduzida para 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões, só que foi previsto um déficit orçamentário de R$ 23 bilhões, que diante das exclusões que contém, a meta foi alcançada, numa compensação de R$ 57,8 bilhões. Isso é no orçamento, porque com a execução orçamentária, esse déficit será muito maior, mesmo com um enorme crescimento da arrecadação de impostos.
No período 2023 a 2026 serão acrescidos à da meta R$ 379,5 bilhões, quando os déficits acumulados serão de 408,1 bilhões, segundo a Proposta Orçamentária federal para 2026. Em todos os anos ocorreram déficits, a despeito de os orçamentos correspondentes apresentarem superávits.
Sempre falamos dos déficits primários, mas o verdadeiro déficit é o nominal, que inclui os juros. Este alcançou para o todo o setor público R$ 1,025 trilhão, nos 12 meses encerrados em outubro. Só no setor público federal foi de R$ 928 bilhões, no mesmo período.
Para o governo, retirando itens do cômputo dos déficits a meta é alcançada e tudo bem. Só que não está tudo bem, porque o reflexo no endividamento não é alterado. A dívida bruta do governo passou de R$ 7,225 trilhões em dezembro de 2022 para 9,856 trilhões em outubro de 2025, num acréscimo de R$ 2,6 trilhões, em menos de três anos. Em relação ao PIB, passou de 71,7% para 78,6%, e continuará crescendo, se essa política não for alterada.
Há quem afirme que outros países tem uma dívida maior. É verdade, só que esses países não possuem uma taxa de juros tão alta como a nossa, cujo total de juros gerado nos 12 meses corridos até outubro superou a um trilhão reais. Como não há recursos para pagar, quase tudo é acrescido à dívida, contribuindo para seu crescimento, como os déficits primários. Os pagamentos que ocorreram em quase sua totalidade é mediante novas dívidas. Há rolagem e não pagamento efetivo.
Quanto maior a dívida mais crescem os juros. Primeiro, porque incidem sobre uma base maior e segundo, porque crescem os chamados prêmios da dívida. Essa política não permite altos investimentos, resultando em crescimentos que são “voos de galinha”.
Publicado no Jornal do Comércio de 20/01/2026.
